Falar e não dizer coisa nenhuma.
Eu ainda de verdade não sei o que é pior ou me atormenta mais.
É impossível uma terceira via?
Em meados de abril, com a proximidade das férias e a ansiedade gritando, listei alguns desejos. Coisas que naquele momento específico da vida me fariam muito feliz se eu tivesse a oportunidade de fazê-las.
Chamei a minha wishlist um tanto quanto ambiciosa de "Plano de Voo".
Segue, sem edição.
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Para as minhas férias eu quero
1.) Assistir a um filme por dia
2.) Terminar pelo menos uma série
3.) Ouvir um disco inteiro por dia
4.) Usar um dia inteiro para “meditar” – fazer um pacto de silêncio e nada de ação, apenas higiene e alimentação estarão permitidos
5.) Jogar Digimon 2, talvez até terminá-lo
6.) Andar de patins vários dias
7.) Acordar sem despertador, mas não muito tarde
8.) Não dormir tarde
9.) Escrever todos os dias. Com exceção, talvez, do dia da meditação.
10.) Jogar Pokemón Yellow?
11.) Ir ao Sesc nadar
12.) Ir na sauna
13.) Passar um dia na casa da tia Eliete
Filmes que queremos ver: os do post-it amarelo, bourne, daggenheim, uns bem gays, alguns dos monstros, o hobbit, charlie chaplin, animações DC, batman & Robin, deadpool, capinho 3.
Séries que queremos ver: Quarta temporada de Orange is The New Black. Terceira temporada de O Negócio. Série Dupla Identidade. Terceira temporada de Shield. Terceira temporada de Arrow. Sexta temporada de Glee. Segunda temporada de Kimmy Schimidt. Chewing Gum. Quarta temporada de Awkward
Livros que queremos ler: Becky Bloom ao Resgate.
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Não preciso nem dizer que não fiz tudo. Mas, olha, fiquei muito feliz de ter feito tudo o que fiz. Tipo, não assisti um filme por dia, mas num mês, consegui ver 15 filmes. Alguns da lista, mas a grande maioria não.
Escrever todos os dias, para terminar o romance, foi outra das intenções que naufragou. Escrevi coisas bem legais, mas tô longe ainda de finalizar o livro. Já CDs eu ouvi alguns, mas poucos.
Consegui não dormir tão tarde e acordar não muito tarde sem despertador para aproveitar o dia, fazendo stuffs. Perdi algumas horas preciosas jogando Candy Crush e não andei de patins uma única vez. Em compensação, fui nadar no Sesc e dei uma passada na sauna.
A casa da tia Eliete também não rolou, mas fui na vó e na mãe. Não viajei para poder economizar, mas acabei gastando com outras coisas. Vi também 12 peças teatrais e além de "Becky Bloom ao Resgate", comecei a ler "Orgia", do Tulio Carella, mas ainda falta muito para terminar.
Não joguei "Digimon 2", mas rolou "Pokémon Yellow". Descobri como se captura o Mew e consegui em poucas horas o Bulbasar, o Charmander e o Squirtle. Joguei também "Harvest Moon - Back to Nature". Ganhei uma competição de ovelhas e atravessei praticamente uma estação. A última vez que eu joguei foi em 2014 e olhe lá.
Ah, sim. Iniciei um projeto de HQ e escrevi um novo conto erótico. Além disso, terminei a terceira temporada de "O Negócio" e a sexta e última temporada de "Glee". Li também dois quadrinhos, um deles em inglês.
No dia da meditação, fiquei em silêncio, mas me permitir ver uma apresentação do Grupo Galpão, no Sesc aqui perto de casa.
O saldo foi positivo. Hoje voltei animado e renovado para trabalhar. Com um gás bom, apesar da apreensão que eu estava ontem. Estou com novas ideias e metas de organização. E nossa, não senti falta nenhuma de estar no Facebook no dia a dia.
E isso ao mesmo tempo em que, de repente, pensando na lista, no momento em que ela foi feita, nos primeiros dias das férias e no agora, me flagrei com uma sensação que não sei explicar exatamente, mas é a de que estamos condenados a um presente eterno.
Vivemos um agora ininterrupto que ininterruptamente vai se tornando um passado que vamos esquecendo. Os problemas gigantescos vão se apequenando, até a gente se dar conta de que eles passaram, se foram, viraram coisas risíveis, que a gente quase pensa que não é possível que tenha acontecido.
O problema de dois meses atrás foi superado e hoje temos uma coleção de novos problemas que daqui a um tempo também serão esquecidos em detrimento de novos que surgirão.
Eu ia comprar "Papers, Please" para jogar no iPad, mas bem quando a fatura do cartão virou, rolou todo o bafo do Fora Temer com o Joesley da JBS e o dólar disparou indo às alturas Isso ficou em stand by.
E já estamos no meio do ano e o que você fez.
Hoje fiz pela primeira vez na vida filé de frango à milanesa. Perdi o medo e encarei a frigideira cheia de óleo. Só queria aprender a não fazer tanta fumaça nem deixar espirrar tanto óleo. Tive que limpar o chão engordurado e o fogão. Para quem não cogitava usar uma panela de pressão, até que eu me saí bem.
Acordo acachapado. A sensação diária é a de corpo moído, trucidado. Parece que apanhei. É difícil despertar e mais difícil ainda levantar. Pareço carro a álcool que demora a pegar no tranco.
A vontade, a minha vontade, era de passar o dia inteiro lendo, acumulando inteligência. Lembra no Matrix que o download de um software faz você aprender a pilotar um helicóptero?
A ideia é mais ou menos a mesma. Ler, ler um monte, ler pra caralho, ler até o infinito, só morrer depois de ler. E aí sim. Aí sim, quando estiver pronto, com muito e muito conhecimento e saber, enfrentar o dia a dia, encarar o mundo lá fora, ir lá, dar um oi pra vida.
Hoje achei que fosse me dar uma crise de ansiedade, mas não deu. Ainda bem que eu comprei maracujá. Escrever também ajuda. E lembrar de respirar me salvou.
É que de repente, as possibilidades e os caminhos para atingir os objetivos parecem tão longos, tão distantes, tão difíceis e injustos, que tem hora que a vontade que dá é desistir. É bater asas e voar. É desencanar, se conformar, apenas deixar tudo pra lá.
Valeu a tentativa. Esse negócio de ser paciente não é pra mim. Há uma urgência de tudo aquilo que eu não fiz. Todos os projetos engavetados, enraizados, intocados, ou simplesmente parados.
Precisa esperar mas não pode mudar de ideia. E aí, quando sofremos ação do tempo, porque novas ideias vão surgindo, a gente faz o que? Refaz planos, adapta realidade, enfia o dedo no cu e rasga junto com os projetos, com os sonhos e as vontades não realizadas.
Queria acabar todo esse texto de um jeito mais otimista, mas não vai dar. Então, paro por aqui. Depois retomo.