quinta-feira, 30 de abril de 2020

Tudo que a gente tem é o hoje

E o que eu quero dizer com isso é que há duas semanas eu fui para a cozinha, responsável por proporcionar o alimento feito para a casa.

O problema é que era quinta. E vai chegando o final de semana e vai dando aquela vontade de comer uma coisa gostosa.

Eu fiz um macarrão ao molho de cebola. Receita da Rita Lobo. Na verdade, uma variação do tal macarrão. Já que eu não tinha o vinho e substituí pelo suco de limão como ela mesma tinha falado. Também não tinha tomilho aqui. Nunca usei tomilho para cozinhar. Não sei nem que cor que tem. Mas adoro esse nome. Parece uma piadinha, ou uma poesia, daquelas bem singelas e bonitinhas.

Tá, marindo?, perguntou a a uva para a outra. Não, tô milho!, respondeu a outra para a uva.

Mas eu dizia que fiz uma panela gigante de macarrão. Também a receita mandava usar uma xícara. E isso chega a ser uma piada. Mas a intenção da Rita era que o macarrão substituísse um miojo safado. Eu mudei todas as quantidades da receita da Rita. E dizia também eu que era quinta. E na sexta comemos comida gostosa.

E no sábado meu irmão foi fazer a quarentena em outro lugar, por motivos de força maior que não cabem aqui explanar.

Pois que fiquei eu em casa sozinho, senhor da quarentena, dono absoluto desses 50 metros quadrados. Eu, de cueca pela casa, a panela gigante do macarrão ruim. E ainda tinha arroz e feijão.

E aí era isso. Ou eu encarava aquela gororoba ou a comida iria para o lixo e eu detesto conviver com a ideia de desperdiçar comida. Também detesto pagar caro por comida ruim ou pouca comida, mas isso não vem ao caso agora. É só uma coisinha sobre mim

Fato é que, além das preocupações habituais da vida somadas às incertezas de futuro, insônias financeiras, incertezas profissionais, eu ainda tive que comer aquele macarrão triste.

E terminar aquela panela gigante foi uma questão que me absorveu até que ele enfim acabasse. Dei a última garfada nele na terça seguinte antes que ficasse mais intragável do que já estava.

E para não jogar também o arroz e o feijão fora fiz foi bolinhos com eles. Os de feijão eu não fritei. Sabe-se lá a razão. Só taquei meio pacote de farinha de mandioca na panela e oi bolinhos. Os de arroz foram fritos. A primeira vez que faço bolinho de arroz na vida. Faltou sal, um tempero mais ousado, marcante, talvez um Sazon, cheio de sódio, mas deu para comer, que é o que importa.

E toda essa história para dizer que tudo o que a gente tem é o hoje. Porque quando aquela quinta-feira, 16 de abril, era um hoje, a minha preocupação primeira era o cozinhar. Quando aquela quinta feira virou um ontem na sexta-feira seguinte a minha preocupação era resolver o conflito entre comer o macarrão e uma coisa mais gostosa e a coisa gostosa ganhou. Então lidar com o excesso de comida foi o dilema dos hojes que se seguiram posteriormente ao hoje original.

Todos aqueles hoje já viraram duas semanas atrás e nem registrados no tempo ficarão, ou ficarão, já que agora temos um registro daqueles tempos que poderiam ter sido sem que viessem a ser expostos publicamente aqui.

O negócio é que as preocupações de hoje (daquele hoje) nem serão preocupações daqui a duas semanas, apenas lembranças, memórias até dignas de esquecimento. E a questão aqui é que o hoje é tudo o que a gente tem, porque já já hoje acaba e amanhã vira o novo hoje.

Eu preciso cozinhar de novo. Talvez faça macarrão.

terça-feira, 28 de abril de 2020

terça-feira, 14 de abril de 2020

Perca a libido agora pergunte-me como

Estou com fastio de sexo. Entediado. Com preguiça. Com o tesão abaixo do nível do pré-sal.

Faz tempo que tenho pensado muito sobre isso.

Meu tesão constante, minha vontade de chupar rola que não passa nunca e o lugar que o sexo, o amor e os relacionamentos ocupam em minha vida.

Mas esses tempos eu ando achando tudo muito chato. A forma como a gente transa. A forma como a gente se relaciona.

Ensaiei ou pensei em escrever uma peça teatral sobre isso. Sobre essa inquietação que fica rodeando a minha orelha. Mas seria tão chata mas tão chata que não abri sequer o Word para começar a digitar. E também falar o quê?, para quem?, sobre o que?, e como exatamente?

Tudo aquilo sobre o que eu gostaria de discorrer não parece se encaixar em nenhuma forma. Ou pelo menos nas formas que tenho buscado.

Pode ser também essa autoconfiança na certeza de que eu penso sobre todas as variáveis de um problema, reproblematizando tudo por outro lado, só que sempre há algo que escapa. E o que vem é o senso comum como resposta. A simplificação das mais ignorantes.

Se não tenho tanto prazer em ser penetrado ou penetrar e gostaria de pensar o sexo para além da penetração é como se houvesse algo de errado comigo. Eu que preciso me resolver. Não o mundo que funciona de um jeito muito certo, não é mesmo? Eu que lute.

Quase como quando alguém olha um quadro em uma exposição e diz que uma criança poderia ter feito aquilo. Que o quadro na parede não é arte.

Ou na cena do Parasita em que o boy fala que a criança é muito talentosa por ter pintado um Chimpanzé e a mãe informa que aquilo é um autorretrato.

Para quem não tem o hábito de desenhar ou se expressar por essa via artística, como eu, a escrita é uma forma de se retratar. E como eu estou o tempo todo pensando sobre escrita e sobre sexo, não consigo escapar de escrever sobre mim.

E nestes tempos tem aparecido essa impotência sexual. E não nestes tempos quarentenados. A crise é anterior à crise.

Uma escassez de sonhos eróticos. Uma falta de imaginação para se masturbar. O condicionamento de estar sempre com gadgets na hora do onanismo. Meu lance são contos eróticos, mas também não dispenso vídeos, de preferência amadores.

Da última vez que eu transei eu brochei e não gozei. Mas também não era porque meu pau não estava duro que eu não estava gostando do sexo em si. Outrora muitos caras ficaram espantados porque minha ereção demorava a abaixar depois da ejaculação.

O boy com quem transei da última vez (já faz 84 anos) me perguntou quantas vezes eu tinha me masturbado pensando nele desde que tínhamos nos vistos. E ficou um clima embaraçoso, porque a resposta era nenhuma. Mas também faz tempo que eu não me masturbo pensando em alguém em especial e quando eu digo que faz tempo, faz muito tempo mesmo. Tipo bota uns 15 anos aí. Uma sexualidade quase toda que condicionada, acostumada, habituada. Uma vida sexual sedentária, preguiçosa, modorrenta. Ele tinha se masturbado duas vezes só naquele dia antes de nos encontrarmos. Obviamente me deu curiosidade de saber se eu havia sido homenageado alguma vez, mas fiquei sem jeito de perguntar. Fazia uma semana quase que eu nem tinha gozado. E óbvio que ele achou aquilo esquisito.

Em todo o caso, a inquietação vem da forma como o sexo de uma forma geral na sociedade contemporânea vem sendo feito, reproduzido, ensinado, encenado, discutido, debatido, visto, consumido e narrado.

Mas vai ver é só comigo.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Do equilíbrio necessário

Se ontem a queixa era a dificuldade em retomar, hoje a constatação gira em torno da necessidade de equilibrar as demandas.

Não que manter hábitos e rotina não seja uma batalha da vida em si. Mas nestes tempos pandêmicos tenho sentido necessidade de olhar para isso com mais carinho, digamos assim.

É que hoje, por exemplo, eu fui ao mercado. Também cozinhei. E participei de duas reuniões distintas de video-chamada. Além da terapia, que tem sido via Skype desde que começamos o isolamento social.

Salvo poucos tuítes, me sobrou pouco tempo para desperdiçar acompanhando o fluxo das redes sociais ao longo do dia.

Em dias que os compromissos são mais meus comigo mesmo é muito mais fácil perder essa linha. 

E fazer tantas coisas “offline” me fez visualizar a importância de encontrar momentos de esquecer que existe celular e redes sociais.

Equilíbrio é algo que busco há tempos e tempos nessa vida. Acho que minha relação com a ansiedade, por exemplo, melhorou muito nos últimos tempos. Não sem levar em consideração um trabalho de acompanhamento psicanalítico aí.

De qualquer forma não deixa de ser irônico observar que mais difícil do que equilibrar-se é manter-se equilibrado.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Retomada

Hoje foi uma segunda daquelas.

Daquelas em que é preciso juntar um pouco mais de forças para sair da cama, encarar a realidade e começar a fazer o que é preciso.

E ainda assim eu adiei algumas das coisas que estavam listadas para hoje. Foram transferidas para amanhã.

O preço disso foi não ter comido direito ao longo do dia e uma janta bem tapa buraco agora que incluiu até um copo de Nescau, pra disfarçar um pouquinho da fome.

É que por conta de toda essa crise que tá rolando - confinamento, quarentena, coronavirus - achei que uma semana de pausa no processo do filme viria bem a calhar.

Só eu não esperava mesmo mais uma vez ser vítima do meu autoengano. Porque planejei pencas de coisas para fazer no tempo sem o filme, mas não fiz nem metade delas.

Não pensei no que tinha que pensar. Não vi os filmes e séries que eu planejei ver.

Ao menos eu li. Se tem uma instituição na minha vida que tem funcionado em 2020 é a minha organização de leitura. Uma das “metas” deste ano era justamente ler mais em casa. Jamais pensei que seria uma pandemia a facilitadora deste processo. Mals aí mundão. Não era bem isso que eu tinha em mente.

Falta tomar vergonha na cara e colocar escrita nessa rotina.

Mas também falta tomar vergonha na cara para muita coisa adormecida, em paralelo ou stand by,

Em todo caso não vim aqui para ficar me culpando. É mais para me ocupar de uma coisa que eu gosto, me dar um pouco de prazer. Ademais, pode não ser a mão, mas só o fato de estar vindo aqui digitar essas mal traçadas já é escrever.

Ainda que o resultado não fique a contento.

Quase nunca fica. Ou pelo menos quase nunca tenho achado que fica.

A sensação é a de que eu estou desperdiçando bons títulos. 

E que ando com preguiça de parágrafos ou textos mais cumpridos. Jogando pelo ralo meu sonho de ser colunista de jornal com toda essa falta de elaboração e profundidade. Se bem que né. Deixa pra lá. Misericórdia às vezes.

No mais, só pensei aqui. E nem queria dizer que isso se reflete numa escala global, é que hoje foi uma segunda daquelas em que retomar é mais difícil que parar. Quase sempre é assim. Ou ansiamos tanto pela sexta-feira por quê? Quer dizer, eu não. Vocês aí que amam sextas.

Que tenhamos forças para continuar.



domingo, 5 de abril de 2020

Ao vivaço

Devo ser a única pessoa na face da Terra que não está vendo lives no instagram.

Não que eu seja o alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado. São sete bilhões de pessoas no mundo afinal de contas. Muitas também devem estar com questões mais prementes que as minhas.

Minha questão com as lives está longe de ser fruto de um posicionamento. Não é advinda da leitura de algum artigo sobre tristeza, confinamento e angustia das redes sociais em época de pandemia.

Veja. Eu até tentei ver o que o Mahmoud estava falando ontem ao vivo para seus seguidores ontem à noite, para ver se vinha alguma dica de como fazer um sexo mais prazeroso depois que tudo isso passar. Vai que né?!.

Mas foi tudo muito rapidamente.

Não é que eu não consigo me concentrar ou algo assim. Na verdade talvez até seja.

Meu problema com as lives é que para mim elas travam, muito. Nem os stories performam bem no meu iPhone (ryca, pryvylegyadah) 4s velho de guerra.

As pessoas transmitem seus conhecimentos, seus shows, e até suas baboseiras e para mim tudo chega muito fra g men ta do pi co ta do tra va do len to.

Daí eu perco o fluxo, a paciência. Dá vontade de mandar tudo às favas. Daí o instagram trava e fecha.

E é como se tivesse ficando de fora das melhores festas, sendo expulso do clube, ou perdendo algo muito importante, mesmo sabendo que no fundo, no fundo, não estou perdendo muita coisa.

terça-feira, 31 de março de 2020

De como eu gostaria de que o mundo fosse depois da crise toda

Viu, como não era tão importante aquilo tudo que você achava tão imprescindível? No final das contas tudo aquilo pelo qual você se orgulhava ruiu, não é mesmo?

E as suas dozes horas de trabalho que praticamente serviam de alento para que você preenchesse disfarçasse suas angústias era tudo uma mentira que você contava para si mesma.

Nem você consegue parar uma pandemia.

Então você descobre que não é tão incrível assim. E que não tem superpoderes. Sua vida é só mais ou menos e essa é a maior libertação possível a que se pode chegar.

Sabe, eu estava há tempos pensando que eu não lembro mais quando foi a última vez que eu ouvi um CD inteiro.

Porque esses dias eu acordei com vontade de ouvir umas músicas. E hoje me bateu um estalo de ouvir R.E.M e eu nem sabia que eles têm um Acústico MTV. Unplugged, no caso, que chama.

Mas é. E a versão de “One I Love” é bem bonita. Isso porque nem está na integra no Youtube e o Spotify só deve ter na versão americana o CD inteiro. E esta é vai para aquele que amo, esta vai para aquele que eu abandonei. Meo deos. Como essa música é bonita. Uma música para alguém que você já amou.

Daí lembro de “Best of You”, do Foo Fighters, que gosto mais na versão do Stereophonics.

Também deu vontade de ouvir a versão acústica de “State of Love and Trust”, além das versões de Pearl Jam para The Doors. E por falar em Pearl Jam tem o clipe de “Do The Evolution”, que é quase um curta de animação e eu fico pensando que sempre que eu conseguia ver esse clipe muito raramente na televisão era um fenômeno e como todas aquelas imagens dialogavam muito com o espírito do tempo no qual estavam inseridas, as guerras dos anos 90, a tecnologia se aprimorando, ficando acessível e criando novas maneiras de ser e estar no mundo o cenário não era de todo promissor, como não vem sendo, como podemos comprovar por nossas próprias experiências.

E tinha outro clipe em estilo curta de animação que era bonitinho que era o “One More Time”, do Daft Punk, das pessoas azuis e que loucura porque eu nem sei mais porque eu tô escrevendo sobre isso, mas olha que só hoje eu descobri que o clipe tem uma continuação, ou mais de uma. Talvez uma hora eu veja.

Inclusive essas animações me lembram de Animatrix que eu nunca vi e preciso. Talvez eu veja hoje ainda. E ainda há tanto para fazer. Aumentei meio deliberadamente minha lista de leitura e a pilha de filmes para assistir só cresce. Além das coisas que começam a sufocar o peito e precisam ganhar forma, ocupar papel e posts na internet.

E também acordei na sexta com vontade de ouvir Madonna. “Fever” eu já tinha ouvido outro dia, mas desta vez deu vontade de ouvir “Deeper and Deeper” e “Like a Prayer”.

Porque uma coisa puxa a outra que puxa a outra e assim sucessivamente. E me lembrei que em três de abril, daqui a três dias, será lançado o remake de Resident Evil 3 para PlayStation 4 e nossa, que vontade de ter 250 reais para gastar num jogo de videogame, mas não. Nem o dois que estava em promoção por quase 100 dá para comprar. É muito caro tudo isso num jogo.

E eu cresci jogando Resident Evil, uma série de jogos no qual um vírus produzido por uma indústria farmacêutica do mal destrói uma cidade e a economia colapsa e deve-se enfrentar mortos vivos e outras armas biológicas para sobreviver.

Mas eu me pego a pensar que olha que legal que vai ser daqui uns anos, quando eu tiver condições e tempos de jogar e conseguir o game por um preço decente eu vou falar nossa, lembra que o lançamento desse jogo foi em 2020, durante a pandemia do Covid-19? Que loucura, né?

Faz tanto tempo que nem parece.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Insônia

Acho que é geral, né?

Por volta das 04h da manhã eu pensei em colocar Cabra Marcado para Morrer.

Faz tempo que eu tô para assistir este filme. E uma vez tentei ver ele em casa e acabei dormindo.

Eu sei. É Eduardo Coutinho. Uma das maiores referências em documentário no Brasil,  mas eu dormi. Devia estar cansado. Quem não está cansado? Tentando dar o seu melhor a todo momento. A toda hora.

É exaustivo, mesmo. Se até o William Bonner e a Renata Vasconcellos estão cansados do alto de seus salários imagina a gente sem salário e confinados.

Mas a real é que não sei muito bem porque não dormi.

Talvez o cochilo do fim- de-tarde-começo-da-noite.

Talvez a falta de reciprocidade em todos os níveis.

Talvez umas investigações aí que preciso fazer no campo interno.

Mas talvez seja o coronavirus, a subnotificação.

A sensação de privação de liberdade.

Optei por esses jogos que já roubam tempo, energia, potencial criativo. Fui de Farm Heroes. Nem sei como ou quando exatamente acabei pegando no sono. Só sei que quando vi acordei, o que significa que eu de algum jeito consegui dormir.



domingo, 22 de março de 2020

O cochilo do domingo a tarde

O título deste post seria “digressões impossíveis” e seria sobre a impossibilidade de digredir, diante deste cenário de pandemia em que nos encontramos.

Não só a pandemia, como o isolamento social, também chamado de quarentena.


Por aqui a vida não mudou muito. Só intensificou algo que já vinha acontecendo. 


Sem emprego, com um filme para editar e com os frilas escasseando um certo confinamento já estava nos planos. A diferença é que agora o resto do mundo experimenta um pouco do que é a minha rotina.


Se bem que esse tempo todo e eu continuo lutando para estabelecer uma rotina. Porque nem todo dia eu consigo obedecer com precisão uns horários. 


O engraçado é que uma das coisas que faziam com que eu pudesse me organizar melhor em relação a afazeres era justamente as saídinhas.


Nos últimos dias, entre o pós-carnaval e a pré-pandemia eram três dias de saída contra quatro em casa. Às terças ia para psicóloga. Às sextas, aulas de alemão e aos domingos a biblioteca da Casa1, onde sou voluntário.


Agora nem isso. A análise já foi por Skype essa semana. A partir do mês que vem o alemão também será enquanto o mundo atravessar esse caos.


Então pensei que há várias coisas a se compartilhar sobre a rotina de ~trabalhar de casa~. Como já disse, minha rotina e produtividade variam muito, mas há umas pequenas coisas que eu acho que ajuda como arrumar a cama e tirar o pijama. 


Pronto. É isso. Está dada a minha contribuição ao mundo. 


E essa seria uma das digressões possíveis, que viria a ser o novo título desse post, que seria um texto-tentativa-de-compromisso de tentar cumprir um desafio de escrever aqui todos os dias, pensando a escrita como cuidado de si.


Mas nesses tempos eu tenho fugido de fazer registros no meu diário para não ter que lidar com coisas internas, e a partir do momento em que botá-las no papel será exatamente isto que estarei fazendo.


Então, enrolo. Mas só até daqui a pouco.


E fiz faxina. Na verdade tirei o pó dos livros.


E nem na sexta fiz nenhum cortezinho no filme. Ok. Eu tô dentro de um cronograma e não haverá saída ao longo da semana. A não ser pelo mercado, para um abastecimento de frutas, pão e ainda preciso fazer uma listinha do que precisa.


Chupei mais laranjas esses dias.


Pude me dar um tempo para lidar com o baque de tanta notícia ruim. E agora é vida que segue.


Tenho há um tempo acordado cedo e ido dormir cedo também. E nesta tarde de domingo bateu um sono, daqueles que sempre dá depois do almoço e eu tentei cochilar, mas só dormi por meia hora.


A escrita, como uma das coisas que eu estava postergando me chamou. Então eu vim pra cá, pra começar, pra aquecer. Pra ver se outros textos além desses saem e eu não aproveito um pouco mais esse tempo livre “extra” para abastecer o blog, os blogs, o diário, a vida.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Mais um pouco sobre laranjas

Este não é um texto bom. Já aviso logo que é para pular se quiser e não precisa de maneira nenhuma se forçar a encarar as próximas linhas.

Nem tem muito o que dizer, na verdade.

Só remoer.

Aqui eu lambo minhas feridas.

Neste parágrafo aqui eu sonho em ver você ele pelado de novo olhando pela janela do seu quarto-prisão dele ou olhando para as roupas do meu guarda-roupa para pegar uma camiseta limpa depois do banho e da chuva e eu fico admirando sua bela bunda dele e só de lembrar dá vontade de chupar seu o cu dele e beijar a sua boca dele.

Aqui a gente faz um minuto de silêncio em homenagem à tudo aquilo que não dá pra ser.

E aqui, neste parágrafo, eu conto que tô tentando me levantar, mas que pareço aqueles insetos que estão de costas e não conseguem se mexer ou virar o peso do próprio corpo e ficam em atitude desesperada sacudindo as próprias patinhas para cima e para os lados até que eles morrem de exaustão e sede e fome.

Por fim, neste texto que não está bom eu venho contar que de todas as coisas que mais me impressionou desde que nos conhecemos (eu e ele), nos pegamos (idem) e você ele desapareceu, foi que você ele me deixou com vontade de chupar laranja.

Tinha um ano que eu não chupava uma laranja. Assim, quase que contadinho. Até que sábado eu chupei uma laranja para ver se de alguma forma eu me conectava com você ele.

terça-feira, 10 de março de 2020

Por que não posso eu?

Por que não posso eu

As coisas na ordem que quero escrever?

Usar as palavras de jeitos outros

E ainda assim me fazer entender

Ligar um guarda-chuva

Ou um palito de fósforo

Querer um pedaço do seu suco

Ou um gole do seu bolo

Por demais normatizadora a língua pode ser

De normal basta vocês

sábado, 7 de março de 2020

Sobre uns livros, filmes e uma vida aí

Estou lendo os contos de Kafka presentes na edição de "Blumfeld, um Solteirão de Mais Idade", que a Record lançou em 2018.


Não estou gostando do livro de modo geral, nem dos contos em particular. Hoje mesmo, acabo de ler “Investigações de um cão” e sabe quando você não apreende nada?


Li como se não tivesse lido. Se tivesse uma prova para fazer sobre o livro ou sobre a história eu ia ter que me virar na força do truque para evitar me sair tão mal.


Os contos não me provocam nada, não me emocionam de jeito nenhum e ainda fazem com que eu fique pensando nas coisas que eu tenho que fazer - tomar banho, estudar alemão, procurar emprego, cozinhar, terminar de editar o filme, escrever, ler outras coisas, assistir a filmes, ir ao mercado, comprar pasta de dentes, pagar dívidas e boletos, etc etc etc.


E o pior é que lembro de ter gostado muito de ler “A Metamorfose”, que espero num futuro breve, reler.


Por outro lado, tenho lido "Delírio do Poder”, da Marcia Tiburi, e estou encantado com cada um dos textos. Um livro cheio de reflexões sobre o processo de candidatura dela ao governo do Rio de Janeiro em 2018.


Subi o livro na pilha de leitura por entender sua urgência e para tê-lo como espécie de material de aporte teórico de provocações que me acompanhariam na edição do filme sobre a candidatura da Renata.


E é curioso como cada um dos textos ecoa ainda aqui dentro depois da leitura, levando a uma série de outras impressões e reflexões, além da ampliação de noções sobre política. Um livro muito bom para fundamentar discussões depois que o pesadelo de governo Bolsonaro passar, se é que vai passar e se é que não mergulharemos em trevas ainda mais densas.


Por falar em Bolsonaro, eu tenho visto a série cinematográfica “Sexta-Feira, 13” e é impressionante como tudo que temos vivido politicamente no Brasil se assemelha muito ao arco narrativo de um filme de terror dos anos 80. Talvez eu me detenha sobre isso em outro texto no futuro breve, a depender de como conseguirei manter uma rotina de administração temporal em uma semana com Mit-SP e Faroffa, além de outros compromissos.


Por fim, mas não menos importante, tenho lido também "Palestina - Uma Nação Ocupada”, do Joe Sacco. Um livro-reportagem em quadrinhos sobre o período em que o jornalista e quadrinista norte-americano passou na Palestina lá no começo dos anos 90.


Estou quase terminando a HQ, mas digo que não foi uma leitura fácil. Não só porque ela tem muito texto, mas porque o tema não é dos mais palatáveis. Conflitos, guerra, crueldade. Um dos episódios retratados que mais me doem de ter lido foi o de forças de segurança (sempre elas) fazendo árabes cortarem seus pés de oliveiras. 


O relato da violência somado com as imagem das árvores estéreis faz com que eu fique até sem mais palavras para descrever como me sinto.


E tem também os relatos de prisões, que num certo sentido me lembraram muito o trecho da biografia do Reinaldo Arenas em que ele fala sobre seu período no cárcere.


Então, lá para as tantas no meio do quadrinho, Joe Sacco conta que é quase incomum que alguns dos homens com quem ele fala, conversa, entrevista, interage ou troca, não tenham sido presos. Um dos personagens apresenta a ele sua filha, Ansar, que foi batizada com o mesmo nome de um dos presídios da região.


Tenho pensado muito sobre a dobradinha prisão e liberdade nestes últimos dias, por conta disso. No quão duro é viver sob um regime de excessão, no quanto a desumanização é parte fundamental para que aconteça com facilidade a eliminação ou o aprisionamento do outro.


E eis que me deparo que a liberdade do contexto capitalista-neoliberal no qual nos encontramos não tem me parecido tão liberdade assim. Que além de precisarmos batalhar e construir uma liberdade comum ainda devemos tomar cuidado para não virarmos reféns de prisões de nossas mentes.


Tenho me sentido preso dentro de mim. Como se estivesse vivendo sem ter vivido.


No mais, comecei a ler “O Vendido”, do Paul Beatty, que foi um dos primeiros livros lançados pela Todavia, quando a editora nasceu. Confesso que li com dificuldade as primeiras vinte páginas, mas acho que foi o sono que eu nem sabia que eu tava. O final do prólogo me pegou pelo peito e então entrei de verdade no livro e todas as crueldades às quais o protagonista “Eu” vem sendo submetido pelo pai começaram a me deixar instigado para ver onde tudo isso vai dar.


Por enquanto é isso.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Quintou

Mas não qualquer quintou. Um quintou de Carnaval, de ansiedade e expectativa.

Um quintou assim de já deu o que tinha que dar. De agora não adianta mais. O que não deu pra fazer até agora não será feito até a semana que vem.

É assim que é. Não se iludam. Não marquem bobeira. Evitem o autoengano. 

O dia de hoje é o de começar a jogar tudo pro alto. De começar a dar aquela pausa. Fazer tudo de modo mais arrastado, mais demorado, mais devagar.

Até a hora hoje vai passar mais lentamente. Você vai até se adiantar aos compromissos. Cair da cama mais cedo. Chegar cedo na firma.

Mesmo a chuva já ameaça cair desde as primeiras horas do dia para só desabar sobre nós no fim da tarde e atrapalhar a nossa volta pra casa.

Daí a realidade supera a ficção e a ameaça assume uma forma concreta e molhada de gotas de água caindo do céu.

Quintou de Carnaval mas não de qualquer Carnaval.

É Carnaval 2020, dos acirramentos, da vida pior, o Carnaval em que não dá pra voltar a estudar ou fazer uma pós porque mal existem bolsas para pesquisa, ainda mais em humanidades.

O Carnaval em que a minha tia fica feliz porque o importante era tirar o PT e o meu futuro vai até logo ali quando termina o raspo do tacho dos caramingué da minha poupança.

O Carnaval em que o primo faz post homofóbico no Facebook.

Então vamos viver os próximos três meses como se fossem o último, porque talvez serão.

O Carnaval da aridez dos afetos e dos sentimentos, o Carnaval dos tempos em que o amor não visceja.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Barba de molho

A história de como fiz a barba é mais ou menos assim:

Surtei e fiz a barba.

Mentira.

Já há algum tempo eu queria tirar a barba mas tava faltando coragem de ver o rosto sem pelos.

Uma vez um boy falou que eu ia ficar com cara de puta sem a barba pois era sem a barba que eu ia para os lugares de pegação. E ele não queria olhar para minha cara e ficar "pensando no meu passado".

Risos.

Não sei o que é a cara de puta.

Achei que fiquei parecendo o Smeagle do Senhor dos Aneis.

Deu uma abaladinha na autoestima ficar sem barba. Apesar dos elogios que recebi só consegui me achar esquisito. Ainda bem que pelo cresce.

O que aconteceu foi que o pente da minha maquinha de barbear quebrou e eu não fui atras de outro.

Fui fazer a barba sem o pente e veja no que deu. Achei que ficou muito estranho. Daí por que não aproveitar que tá bem curto pra tirar e ver como fica?

Não reconheci meu rosto sem barba. Fazia tempo que não me olhava no espelho assim.

Fico melhor de barba. Ao menos mais pegável.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Para fins de registro

É que achei no mínimo curioso que no mês em que mais escrevi até agora foi o que menos publiquei por aqui.

Estive em três cursos-oficinas nas últimas semanas. Dois deles com a mesma ministrante. E pude fazer práticas de escrita, tentar me ater a algumas propostas, além de falar, ouvir e trocar impressões sobre literatura, vida e escrita.

Desses dias todos apareceram coisas legais, mas que por enquanto ficarão restritas aos cadernos e anotações.

Após receber uma enxurrada de novas informações, conteúdos e ter a sorte e o privilégio de presenciar discussões tão ricas e pertinentes, parece-me natural deixar todo esse caldeirão fervendo em um fogo mais brando, por enquanto.

Há a necessidade e a urgência agora de trabalhar na edição do filme, além da busca de um trabalho que permita algum tipo de vida.

No mais, volto a qualquer momento com uma nova digressão.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Crônica de uma batata viajante

Comprei uma batata pra gente, ela me contou. Só não lembro se foi por Whatsapp ou pessoalmente quando nos encontramos.

A batata Ruffles de queijo foi comprada lá pelos lados do Butantã e naquela quarta-feira viajou com a gente até aquela região entre a zona Norte e a zona Oeste, nas proximidade de Vila Nova Cachoeirinha, no CCJ, o querido Centro Cultural da Juventude, onde fomos ver Res Pública 2023.

Só que não comemos batata aquele dia porque eu tava com bicha de comer esfiha. Que eram ok, não melhores que a Mazzeratti, mas mais baratas. Renderam um piriri naquela madrugada, além de um Imosec e meio no dia seguinte.

Então a batata viajou para a zona Sul, onde ela mora. Na sexta a batata foi com a gente para a Zona Norte, ali perto da praça Campo de Bagatelle, onde vimos Silvero Pereira em BR Trans no Teatro Alfredo Mesquita. Também não a comemos naquela ocasião, pois sem muita fome antes da peça e depois do espetáculo optamos por Subway. Como ambos gostamos do mesmo recheio (frango defumado com cream cheese), dividimos um lanche de 30 centímetros que ficou mais barato do que cada um pegando um de 15.

No sábado, depois de a batata sair da Zona Sul, ela deu o ar de sua graça na região central de São Paulo onde demos um pulo na Pocket Poc-Con. Em seguida, o pacote da guloseima experimentou a região do Itaim Bibi, Faria Lima, aquela coisa longe, cara, mas foi novamente preterida porque a tentação por Joakin's falou mais alto e o senso de irresponsabilidade com as finanças também. Vimos Sombra, no Centro Cultural da Diversidade. Saímos impactados.

E mais uma vez aquela embalagem amarela percorreu a cidade de São Paulo Ville. 

Até que ontem a batata viajou para o Cangaíba, na zona Leste, nas imediações de Engenheiro Goulart, onde fomos prestigiar mais uma vez de graça a peça Lembro Todo Dia de Você, lá no Teatro Flávio Império. Desta vez comemos a batata.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Do que eu digo quando falo de beijo na boca

Eu sempre falo em textos meus aqui neste blog sobre beijo na boca. Que queria beijar, dar uns beijos e variações do tipo.

Não que não sejam literais em si e eu não queira de verdade e de fato beijar na boca.

Mas quando eu falo de beijo na boca eu quero falar mais do que duas línguas se roçando, de misturas de suor e saliva.

Quando falo de beijo na boca eu quero falar de toque, de respiração, de lambida, de afeto, de cheiros, de pele, pelos e suores e odores.

Quando eu falo de beijo na boca eu falo de pau duro, de pau mole, eu falo de bunda, peito, coxas, de pentelhos e púbis e canelas e cotovelos e corpos pelados e a gente na horizontal, na vertical, de lado, de quatro, de ponta cabeça.

Quando eu falo de beijo na boca eu falo de cuspes, de olhares, de lábios e dentes e mordidas e amor e tesão e sorrisos e olhos fechados e abertos e abraço e carinho.

Quando eu falo de beijo na boca eu falo de sexo, de nudez, de querer transar, de querer foder, ser fodido, penetrado, encoxado, penetrar, de meter, de gouinage, suspirar, arfar, de conversar, abraçar, tocar, sentir, morrer apenas um pouquinho por vez.

Quando eu falo de beijo na boca eu falo de orgasmo, espermatozoides, porra, esperma, ejaculação, mas também tudo bem se não gozar.

Quando eu falo de beijo na boca eu falo em camisinha, se será que precisa tomar a PrEp?, cheque, vibradores, golden shower, aneis penianos, lubrificantes, estimuladores de próstata, tenga eggs, couro, chicotes, algemas, géis e papel higiênico pra limpar tudo depois. 

Quando eu falo em beijo na boca eu falo em me lambuzar, fazer sujeira, chupar pau, cu, suvaco, pescoço, orelhas, mamilos, barriga, pernas, dedos das mãos, dedos dos pés, joelhos, panturrilhas.

Quando eu falo de beijo na boca eu penso em cenários variados que podem ser baladas, bares, butecos, no meio da rua, na praça, no shopping, no banheiro, no motel, ao ar livre, na praia, na ponte, no bloco de carnaval, na virada cultural, na parada gay, num show, no sesc e durante uma peça de teatro.

Quando eu falo de beijo na boca eu falo de me apaixonar, de namorinho, relação, de escrita, de corpo, de pulsão de vida, de sair do eixo, do prumo, de intensidade, de querer romance, não querer rotina, de querer o melhor que a vida tem pra dar.

E é sobre tudo isso e muito mais que eu digo quando falo de beijo de beijo na boca.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Das distrações

Tem duas fotos que eu queria muito tirar na minha rua, mas eu quase sempre esqueço.

Uma delas é um grafite que eu até já devo ter uma versão postada no instagram, só que o clique foi feito em outro lugar.

A outra é a foto de uns tênis pendurados em fios elétricos.

E aí está uma imagem que sempre me fascinou. Tênis. Pendurados. Em. Fios. Elétricos.

O que não sai da minha cabeça é o questionamento de como ele foi parar ali? Quem é a pessoa que joga o tênis tão alto a ponto de que ele fique lá em cima?

Jogar coisas para o alto requer uma certa habilidade e destreza.

Na terça-feira, quando eu voltava para casa lembrei que queria tirar a foto. Tava um dia bonito. Quente. Ensolarado. Saquei o celular ao mesmo tempo em que um caminhoneiro descia da boleia do seu caminhão.

Daí já viu. Minha mente foi para um mundo de aventuras sexuais imaginárias, o celular na mão serviu para que eu checasse mensagens no whatsapp, passei dos fios com os tênis pendurados e cheguei em casa sem tirar a foto.

Hoje de manhã, quando eu tava saindo, lembrei de tirar a foto. Postei ela agora há pouco no instagram. Tá aqui, para quem quiser vê-la. Agora falta fotografar o grafite.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Outros jeitos de comer pipoca

Tinha feito um post falando sobre eu não gostar de pipoca, mas bem na hora de revisar, mudar o título, perdi tudo.

No texto eu contava que nem sempre eu fui uma pessoa que não comia pipoca. Que isso é uma coisa da última década mais ou menos.

Então eu listava os meus jeitos antigos de outrora de comer pipoca que incluía temperá-la com: limão, vinagre, Fondor, Ajinomoto, queijo ralado e catchup. Não tudo isso junto.

Eu mais ou menos falava daquela coisa que não podia chupar limão porque afinava o sangue. Do sódio presente no Fondor e no Ajinomoto que faz mal. E como o vinagre e o limão deixavam a pipoca murcha e como eu gosto de coisas moles e molhadinhas.

Por fim, eu concluía que parei de comer pipoca por uma questão de custo benefício. Que isso é muito capricorniano, mas que pipoca não me proporcionava nenhum tipo de prazer gastronômico específico, que enche, que não satisfaz e que comer pipoca é uma experiência pela qual eu não preciso passar, uma vez que existem guloseimas muito mais interessantes por si só que não requerem tantos incrementos e que são bem mais gostosas. 

Daí eu perdi o post e vim aqui escrever sobre uma coisa que eu escrevi, mas o meu mal uso da tecnologia fez com que a primeira versão se perdesse para sempre. É isso que dá escrever direto no publicador ao invés de fazer um rascunho antes. Uma lição que já era para ter aprendido, mas quem disse que aprendi?, visto que este post foi direto no publicador de novo. Tem coisa na nossa vida que muda. Tem coisa que não.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

De cuecas, livros e umas paradas pra fazer

Quase comprei dois livros hoje. Naquelas promoções de dez reais.

Desisti porque tem uns livro-fetiches mais caros e que estão na fila primeiro, que eu fico o tempo todo falando para mim mesmo que não posso comprar porque estão caros, porque estamos sem dinheiro, menos que semi-empregado, na volta a gente compra, e porque eu já tenho livros para uma vida, mas livro nunca é demais, livro é investimento, eu deveria abrir um sebo (mentira), eu deveria era ler mais, escrever mais.

Deixei para mais pra frente, depois que eu terminar a leitura de pelo menos dois, depois que avançar na feitura do filme (hoje, dei uma avançada e nem joguei video-game), depois que eu ler a dissertação do Marcelo que eu tô lendo desde o ano passado e daqui a pouco faz um ano que ele se doutorou e nossa, como o tempo passa e como é isso de ficar mais velho e assumir responsabilidades e escrever sem formatação, sem correção, sem obedecer às regras.

Na idade adulta a gente pode jogar só um pouco de video-game. Não é recomendável que adultos joguem muito video-game. Adultos devem ser infelizes e querer o que não se tem, e querer sempre mais e mais e mais e isso agora me lembrou NoPorn e eu tô sem a carteirinha do Sesc e a vida não tem sido fácil. E tá calor em São Paulo e o sol anda ardido. Tem várias coisas pra fazer, saudades de quando esse era o blog da Diana, saudades de quando a Diana escrevia.

No entanto comprei cuecas hoje. Porque algumas das minhas cuecas estão esburacadas como o meu mundo interior, esgarçadas pelo uso, frouxas como a minha coragem para enfrentar as coisas, mas eu gosto delas assim, mambembes, desbeiçadas, quase a ponto de virar pano de chão. Tem um quê de resistência nisso, têm um charme do desvalido, a aura do cafuçu da cueca vagabunda, que não se importa coa cueca. E comprei umas cueca chique, daquelas de aberturinha de lado, daquelas bem safadas. Cuecas que eu gostaria que frequentassem muito chão por aí que dois mil e vinte traga pelo menos uns beijo na boca que eu não passei a virada de calcinha azul à toa e agora lembrei que tem roupa pra lavar, que tem que pensar no que vou fazer de comida para amanhã, que eu deveria começar a fazer exercícios físicos, mas academias essas merdas já começam representando um rombo financeiro com taxa de matrícula mais avaliação física se tiver. a última não tinha e o ano novo mal começou. 






quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Hora da Virada

É a crise. Não a minha desta vez. A do país.

Menos pessoas foram viajar então improvisaram o Réveillon do jeito que foi possível.

Meus vizinhos aqui dos arredores comemorando a chegada do Ano Novo como se não houvesse ano que vem. Haverá. Já está havendo, no caso.

A música altíssima. É que me pegou de surpresa. No Natal também teve dessas, mas é que para hoje eu tava sabe contando com uma pegada mais como nos outros dias do ano, sem toda essa festa.

Já teve uns Anos Novos mais silenciosos por aqui.

Envelheci. No ano em que serei crucificado e subirei aos céus virei uma pessoa amarga contra as festas dos vizinhos. 

É que eu tenho uma lista de coisas que adoraria fazer na Virada do Ano e uma delas era dormir, muitos risos.

Não que eu estivesse dormindo ou me preparando para tal. 

Passei a Virada escrevendo, que vamos combinar que é uma coisa que as convenções sociais não permitem. 

Foi bom o suficiente.