quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Pausa

Precisei dar uma pausa hoje. Ainda que eu não tenha parado muito e tenha feito coisas. Ainda assim, decidi pegar um pouco mais leve comigo, mergulhar em algumas leituras que eu estava me devendo.

Engraçado como passa o tempo e não muda a mania de transformar isso aqui num diário. O exercício de escrever uma vez por dia, vamos ver quanto tempo vinga.

Eu estava há uns dias já sem jogar essas merdas viciantes no celular ou no tablet, mas hoje cabou que levantei tarde, resolvi uma pendência burocrática e me meti num jogo enquanto assistia ouvia uns videos no Youtube e no Spotify, porque agora eu dei até para ouvir podcasts. Não muitos, nem muito longos, mas já tô eu atolado de coisas para fazer e me entupo de mais uma.

Por isso que chego ao final do ano sobrecarregado, cansado e afins. Já que em termos de trabalho remunerado este mês está até agora surpreendentemente mais fraco, a ideia é aproveitar o tempo que tem.

Faltam dois episódios para terminar Jessica Jones, e toda vez que eu vejo Jessica Jones me dá muita vontade de rever Matrix. Então hoje eu vi Matrix, o primeirão, que fazia muito tempo que eu não via. Foi quase como ver pela primeira vez. Muita coisa ali que eu não lembrava.

Daí deu vontade de ver filmes do Ang Lee e me desperta a curiosidade de ver Speed Racer, que nunca vi graça no desenho e a série Sense 8 e fico me perguntando se vale à pena.

É que eu ando com o projeto de não começar coisas novas enquanto não terminar o que já comecei. Porque a gente vai se atolando de coisas e eu tenho isso de gostar de terminar as coisas iniciadas. É uma lei que criei para mim, que eu nem precisava seguir, mas eu gosto.

É bom terminar as séries e pensá-las também em algo se pode apreciar ao invés de algo que se consome para estar por dentro dos assuntos. A essa altura da vida já deu para perceber que o nosso tempo não é o tempo do capital, porque tem certas coisas que o capital quer que a gente consuma e certas coisas que não.

E acho que para um texto que nem seria, por enquanto tá bom, antes que eu comece a brisar mais do que deveria em mais um post que vai do nada para lugar nenhum.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Tentativa

Entender o que acontece ao nosso redor às vezes requer um esforço que a gente nem reconhece que é possível.

A sessão de hoje na análise foi mais silenciosa do que de costume. E é engraçado pensar que muitas das vezes eu começo com um suspiro ou com a frase "hoje não tem muito pra falar". Já virou até meme.

Mas é que às vezes faltam palavras. Na verdade isso ocorre com mais frequência do que eu gostaria, mas se teve algo que eu andei aprendendo nos últimos tempos é a não ficar forçando muito a minha própria barra.

Se não tem o que falar, não fala, ou deixa a mente solta, deixa vir. É difícil aproximar o que se sente da linguagem verbal, por mais extenso que seja o nosso vocabulário.

Tem uns momentos que eu amo, que é quando sou perguntado se me sinto da forma a ou da forma b. Não é raro que eu me sinta da forma ab tudo junto misturado e embolado aqui no meio.

Nem sempre se tem sobre o que falar. Nem sempre se tem sobre o que escrever. Mas já que o exercício é escrever um pouco uma vez por dia, talvez escrever sobre não ter o que escrever já resulte na própria escrita. 

Não serão todas as tentativas que darão certo no final das conta. Fica aqui o registro de uma.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Empurrãozinho

O metrô ficou por tempo demais parado na estação Brigadeiro então eu decidi saltar ali mesmo já que a principio eu desceria na Trianon-Masp.

O meu destino ficava bem no meio do caminho entre as duas estações e eu só pensei: por que não?

Foi só deixar o vagão e dar os primeiros passos na plataforma para que o sinal indicasse que as portas se fechariam e a composição seguiria, enfim, o seu caminho. 

Já era tarde demais. Um pouquinho menos de ansiedade não faria mal. O tempo afinal nem estava contra mim naquele dia. Eu me encontrava adiantado, o que nem tem sido raro esses dias.

Aproveitaria então algo que eu estava ansiando já há algum tempo, o de testar outro caminho. Não que seria um trajeto desconhecido, já que aquela era a rota para casa.

O que eu faria era uma inversão de polaridade na rotina, trocar uma coisa não tão significativa para adotar com mais carinho a ideia das mudanças. 

Pensei no potencial metafórico de tudo isso e em como às vezes tudo que a gente precisa para testar uma coisa diferente no dia a dia é um metrô parado por tempo demais em uma estação. É quase como um empurrãozinho encorajador.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Gugu

Não senti nada com a morte do Gugu. E não queria aqui dar uma de Henry Sobel x Gugu, mas meu negócio é que há um certo tempo eu venho formulando uma teoria de que chegamos onde chegamos por causa do que vivemos antes e o que vivemos antes foi Gugu Liberato.

Então toda essa comoção, todas essas homenagens, o espanto. Tudo isso me passou batido. Não me despertou muita coisa. Não é que eu não sinta condolências por quem sentiu sua perda, sinto. Mas é que para mim é meio difícil de desassociar Gugu de outros assuntos que andamos debatendo.

Quando Angela Davis vem ao Brasil, se diz chocada por estar sendo tão referenciada por aqui e fala que deveríamos olhar para Lélia Gonzales eu faço o exercício de procurar Lélia Gonzales. Não há quase nada dela tão acessível numa busca superficial. É preciso ir mais a fundo.

Lélia Gonzales morreu em 1994, alguns de seus trabalhos mais importantes são das décadas anteriores. Eu só estreei neste mundo em 1987. Quando Lélia morreu eu tava com 7 anos. E por aqueles períodos eu e o Brasil que me cercava estávamos diante da TV, acompanhando avidamente a guerra de audiência entre Gugu e Faustão.

A sensação que eu tenho é que enquanto uma parte do Brasil estava fazendo um esforço para libertar-se, a outra estava anestesiada. Não que tenha mudado muito, mas é que mesmo vindo de uma família onde metade das pessoas são negras, nunca discutiu-se sobre racismo em casa. Havia uma lacuna aí, de escopo, de articulação, de referenciais. 

Também não se falava sobre homofobia. E eu já sabia que havia algo de diferente comigo. E imitava o Pit Bicha e isso era engraçado e as pessoas riam e quando as pessoas riem elas gostam, né? É um sinal de que se está agradando quando se está fazendo as pessoas rirem. Alguém aí pensou em síndrome de bobo da corte? Mas eu também amava secretamente a Vera Verão.

Então tô aqui, fugindo do assunto, evocando memórias, lembrando dos bullyings sofridos por causa de Robocop Gay, uma música estranhamente progressista para a época, mas que às vezes ainda desce amarga tanto tempo depois, e que também era ferramenta para perseguições homofóbicas na infância, na escola ou na rua de casa.

Pode até parecer desarticulado tudo isso, mas de alguma forma se relaciona. Gugu é o privilégio branco, o establishment, a cara, o discurso e a ideologia do status quo. Assim como o Faustão, a programação ou o que se publica nos meios de comunicação de massa que do alto de suas torres de marfim se consideram réguas do mundo.

Também penso em Judith Butler, nas vidas precárias, nos quadros de guerra, nas vidas que são passíveis de luto. Penso em oitenta tiros que não causam o impacto que causa a queda de um forro de estuque, na desproporcionalidade da repercussão da morte de Ágatha Félix.

Enquanto cês lamentam a perda irreparável de Gugu a gente fica a chafurdar na lama, com os valores  de uma sociedade que gira em torno da branquitude, do racismo, da homofobia, do heterocispatriarcado.

   

sábado, 30 de novembro de 2019

péssima escolha de figurino

A calça que não tava ajustando tão bem, meio apertada assim nos países baixos, a cueca que tava desbeiçada além do aceitável para um dia de muita atividade, correria aquelas coisas. Isso porque eu gosto dumas cuecas já gastas, furadinhas umas cuecas que contam assim uma história além de exibirem uma áurea de calculado desleixo.

Tá tudo bem? Você parece meio desconfortável.

Tá tudo ótimo. (Fala com a voz assim com a respiração ofegada)

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Sem conexão entre as ideias

Leio a notícia sobre um dos casos de feminicídio do dia. Não tenho como não me indignar, não tenho como não ficar puto. Como vocês conseguem viver suas vidas dessas formas tão normais quando para mim é tão difícil?

Mas nem é só a dificuldade de naturalizar essas coisas. Tem também o se colocar no lugar do outro. Não numa pegada de empatia, mas de tentar fazer o exercício de entender.

O que é que se passa na cabeça desses caras acham que matar uma mulher, aquela com quem ele teve ou tem uma relação, é algo ok de se fazer?

Eu entendo de onde isso vem. De muito tempo atrás, da ideia de posse, do patriarcado. O que me falta é instrumento para chegar a um ponto de pensamento em que eu me identifico com todos esses inúmeros agressores que são exibidos a todo instante nesses programas popularescos que vocês tanto apreciam.

Talvez seja essa estética-cidade-alerta que distancie tanto uma possível identificação de novos agressores em potencial. No sentido em que o criminoso é sempre o outro, é sempre o monstro. Nunca é você que está com a ideia errada, a mesma ideia errada daquele cara que matou aquela mulher no caso que passou agora há pouco. 

Não consigo conceber essa linha de raciocínio que faz com que homens enxerguem as mulheres como propriedade e justifiquem que se ela não será minha não será de mais ninguém.

Digamos que eu seja o Fulano, que namorou a Cicrana, e sempre fui um cara ciumento e etc. Daí ela me trai, ou não quer mais namorar comigo. Então eu pego uma arma, porque né, acho razoável pegar uma arma. Já começa daí. A arma faz com que eu me sinta mais homem. E daí eu vou lá e mato a cicrana. Depois sou preso e choro na delegacia, digo que estou arrependido. 

O que eu juro que queria muito entender é porque escolher se arrepender? Como que tirar uma vida é uma ideia razoável como tipo acordar e resolver dar um passeio no parque.

Quão profundo no inferno do próprio mundo interior se está para continuar perpetuando esse tipo de conduta e comportamento?

Esse texto ficou uma droga. Mas é o máximo que eu consigo formular. Tudo truncado e com ideias que não se ligam e conectam, porque me faltam palavras e uma elaboração mais adequada para dar conta da minha indignação. 

Hoje uma amiga me falou que o capitalismo e a heterossexualidade compulsória são os problemas do mundo. Tendo em mente que o capitalismo se estrutura na desigualdade e no racismo, não tenho como não concordar.

domingo, 17 de novembro de 2019

Este blog deveria começar a se chamar procrastinações cotidianas. Porque as digressões de pensamento ocorrem diariamente. O que não anda ocorrendo é o registro por escrito delas e nem suas postagens posteriores.

Então que fique de aviso para as arqueólogas do futuro que viver no século 21 suga nossas forças. A história da humanidade é a história da energia desperdiçada em vão. Salvo em alguns casos.

A vontade de escrever tá aqui, me consumindo. Então eu escrevo sobre não conseguir escrever. Quem sabe em breve equalizo isso de maneira mais satisfatória.

Não queria fazer esse texto hoje, esse texto agora, mas cá estou eu, caindo na maldição de atualizar o blog com mais um mercurio retrogrado.

Sofro da sindrome de Belchior. Achando que não vou morrer no ano seguinte, mas morrendo numa sequência interminável que se sucede infinitamente, indefinidamente.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Balanço geral

Este ano até agora eu li trinta e um livros, mas esse número está inflado por alguns infantis bem fininhos embutidos aí no meio. Eu também terminei vinte e uma temporadas de séries e li vinte e quatro histórias em quadrinhos, dos mais diversos tamanhos. A maioria era de super-herói. Batman, para ser mais específico e algo da Marvel, mas a minha preferida foi “Pílulas Azuis”, seguida de “Golias”. Eu assisti trinta e quatro filmes, alguns mais de uma vez e somei quatro curtas nesta contagem. Vi cinquenta e três peças de teatro, ou cinquenta e duas se considerar as duas partes de “Angels in America”. Não fui a nenhuma leitura dramática. Escrevi um total de zero peças teatrais, mas terminei um livro de contos (eróticos) que precisa ser revisado, retrabalhado e ganhar alguns novos textos. Fui a três exposições. Não faço ideia de quantas vezes me masturbei ou fiz cocô e xixi. Acho que não vomitei. Fui a nove shows, cinco deles durante a Virada Cultural. Queria saber, mas não sei, quantas vezes comi no Mc Donald’s. Comi ao menos cinco batatas Ruffles participantes da promoção do Homem-Aranha. Decupei setenta por cento do documentário que filmei o ano passado. Recebi duas parcelas do seguro desemprego. Completei dez meses sem trabalho remunerado e há dois meses consegui um freela. Fiz apenas uma viagem. Caraguá. No começo do ano. E eu mal lembrava. Não fui um sábado comer pastel na casa da vó. Fui em umas três festas de peladeza. Fui só uma vez na sauna. Fui a oito Sesc(s) diferentes. Comprei trinta livros, incluindo quadrinhos nesta conta. Comprei um videogame, zerei um jogo. Gastei trezentos e quarenta e oito reais e dezessete centavos com beleza, higiene e saúde (cortes de cabelo, shampoo, pastas de dentes, escova, remédios, desodorantes e etc). Uma média de cinquenta reais por mês. Bebi setecentos e trinta e oito reais e cinquenta e sete centavos, que resulta na média de cento e cinco reais gastos com cerveja por mês. Preenchi dois cadernos médios de oitenta folhas com relatos sobre o meu dia a dia e estou escrevendo já no terceiro deles. Investi cento e cinquenta reais em itens de papelaria. Fiz dois cursos em dois Sesc(s). Fiz dois cursos de produção cultural. Participei de uma oficina de teatro em que fiquei pelado e isso mudou o que tenho pensado na vida sobre o amor. Cursei também uma disciplina sobre feminismo, transfeminismo e teoria queer na pós-graduação em filosofia da USP. Devo ter ido a vinte e sete sessões de terapia, ou análise, nunca sei como chamar. Fiz quatro semanas de exercícios na academia e também comprei um vibrador. Fui a um velório. Escrevi e postei quatro textos para o Pilhas em Série e seis para este blog aqui. Este é o post de número sete do ano até agora. Tirando a raiva de ter o desastre do Biroliro na presidência do país, poderia estar pior, poderia estar melhor.

sábado, 13 de julho de 2019

Da agonia que dá quando falam não gostar de política

Porque foi isso que nos trouxe até aqui.

Vou me repetir mais uma vez. Mas talvez sejam tempos esses de se repetir para ver se se é compreendido, apesar da minha preguiça de dizer o óbvio, talvez seja mesmo necessário.
Faz tempo que eu não ouço isso diretamente. Sobre vocês não gostarem de política. Sobre os brasileiros não gostarem de política. E vocês não fazem ideia do quanto isso me entristece muito.

Porque a política está em cada detalhezinho do dia a dia de cada um. Da sua orientação sexual, ao livro que você lê ou não lê. Daquilo que você assiste, consome até à estética do mundo que te cerca.

Se para um casal de pessoas do mesmo gênero, andar de mãos dadas é uma atitude política, por que é que se tem tanto ranço assim de discutir política, se também no fundo, discutir política é discutir afetos?

Talvez as pessoas fiquem desconfortáveis em falar sobre sentimentos, afeto, sexualidade, ou até mesmo sobre sexo e jeitos mais legais e interessantes do que os que estão aí.

Não o sexo escrachado e pornográfico que é presente na cultura brasileira de modo geral, explícito em nossas músicas ou telenovelas. E por escrachado e pornográfico não interpretem aqui que estou fazendo juízo de valor, porque não estou, porque adoro e inclusive quero.

O que estou querendo dizer é que é preciso urgentemente inventar novas formas de discutir sexo e política. Rasgar todo o véu de moralismo hipócrita que cobre essas atividades e falar sobre esses assuntos de maneira honesta e franca.

Falar. Tenho aprendido em sessões de terapia que a fala tem um potencial de cura imensa. Que falar e nomear as coisas é um processo que por mais que seja doloroso e difícil é necessário.

E que falar faz com que os monstros que habitam dentro da gente mudem de tamanho. É como se, em contato com o ar, eles diminuíssem. Mas para isso funcionar também é necessária uma escuta ativa, não só da parte de um interlocutor, mas sobretudo daquele que está falando.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Sobre não gostar de quem reclama de tudo porque existem trabalhos piores

Atraso-me um pouco para um compromisso às nove da manhã. Porque marcam as coisas tão cedo neste país logo no pior horário de deslocamento da cidade com ônibus e metrô tudo cheio. Mas o evento foi legal.

Minha memória me transporta para um período da vida de segurem a lista, please. Uma ilusão. A lista nunca era segurada. Ninguém tinha esse poder. Mas havia um efeito tranquilizador em meio à correria de que você não era a única pessoa naquela situação, correndo contra o tempo.

Passo pela frente de um hospital onde fui fazer exames uma vez. Check-up. Rotina. Coisa assim do coração, porque meu avô teve infarto, sabe. Nada demais. Deu tudo certo. 

O exame era aquele que você tem que ficar vinte e quatro horas com a maquininha no braço para ela anotar sua pressão cardíaca durante as atividades do dia a dia.

Bons tempos aqueles. Tinha plano de saúde naquela época. Ainda que fosse um plano que te descontasse a partir de não sei quantas consultas, sabe-se lá a partir de quantos exames. Co-participação, que chama.

E tinha gente que falava mal. Sempre tinha. Nunca tava bom. É que ainda que estivesse bem longe do ideal e tivesse umas gramas muito mais verdes por aí, a situação não estava tão ruim. Havia e há realidades piores.

Mas daí vai de cada um. Eu, de minha parte, fico aqui pensando que as experiências que vivo me enriquecem espiritualmente e me deixam mais grato.

Tem sempre uns períodos da vida em que o sol tá de rachar e não tem uma árvore para te proteger desse calor. Então quando você encontra uma sombra, ainda que seja de uma nuvem providencial é bom aprender a aproveitar.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Nunca ignore um mercúrio retrógrado

A sensação é a de correr contra um tempo que parece nem estar se mexendo, ou que está indo para trás.

Como se fosse aquelas esteiras de academia, mas é uma esteira de tempo. Imaterial. Quando você está atrasado e isso tem acontecido com frequencia, o tempo rodopia.

Agora você tá no seu compromisso, o seu trabalho, na sala de espera da consulta, naquela reunião que poderia ter sido um email, daí é osso.

Pode passar os três senhor dos aneis versão estendida que o tempo não vai passar. É 14 horas quando começa é 14 e um quando termina.

Bem vindos a julho, o mês mais gigante do ano até agora. Lembrei que mercúrio ficou retrógado semana passada. 

Ainda não esqueci nada, equipamentos eletrônicos funcionando e que continuem assim. O metrô tem estado bem cagado, mais cheio que o normal. Com certeza é isso. Astrologia explica. A verdade está lá fora e a lua está crescendo e linda lá em cima. Lembrem-se sempre de olhar a lua no céu. É poesia de graça.

Mas esse tempo que não passa. Esse frio que enregela os ossos e a alma. As obrigações, elas aumentam, na contramão de um tempo que arrasta correntes e quando você vê já foi.

Porque quando se está mais velho os anos passam mais rápido. Lembra, há três eras quando falávamos lá no longíquo dia 1º de julho de 2019 que metade do ano tinha passado? E agora faz 84 anos que é julho.

Eu hein. É por isso que não dá pra ignorar os efeitos de um mercúrio retrógrado, nunca. Mercúrio retrógrado é sempre época de reavaliação.

Daí que Saturno também está retrógrado. E Plutão também talvez esteja. Desse eu já não lembro. Vou ali olhar e já volto. É tá sim. Até outubro. E também em capricórnio

É muito planeta retrógrado pra lidar, é muita reavaliação pra fazer. Tava reavaliando umas coisas por aqui e tava na hora do planeta Terra explodir. Eu por mim, me dava por satisfeito.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Ó o pesadô!

Eu fiquei assim pensando. Sabe quando você vai no mercado e compra um quilo de alguma coisa. Sei lá. Pode ser batata, tomate, carne.

Pode ser até um litro de leite, já que um litro é igual a um quilo, né. Equivalências.

Pois bem. Digamos que sejam três quilos né. Às vezes é bem complicado voltar para casa carregando sacolas pesadas e tudo mais.

E você veja só, você só foi até o mercado, logo ali perto. Andou sei lá, só alguns quarteirões. E também teve dinheiro pra comprar isso. Comida. Porque de novo está faltando dinheiro para o básico.

Três quilos de qualquer coisa já é bem mais pesado. Se a gente mudar o valor, fica mais difícil ainda.

Vamos pensar assim, numa quantidade que existe. Vamos pensar em cinco quilos. Um pacotão de arroz pro mês, em média.

Uma caixa de leite. Com 12. São doze quilos, certo? Como já falamos ali em cima.

O ponto em que eu estou querendo chegar é que quilos pesam. Um quilo tem seu peso, três também, cinco então, nem se fala. Doze é bem puxado. E galão então, de água. Daqueles de 20 litros. Requer um esforço, concordam? Sem falar que é um volume que chama a atenção.

É que eu não consigo deixar de pensar como é que faz para transportar para outro país, trinta e nove quilos de qualquer coisa.

Geralmente essas coisas pesam. E só de pensar nesse peso todo já dói até as minhas costas e a minha lombar.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Valores

Não sei se vocês sabem, mas já há muitos anos que eu guardo o hábito de ler a coluna da minha amiga Mônica Bergamo.

Pois bem.

Há algumas semanas, quando a Odebrecht abriu pedido de recuperação judicial os números da dívida da empresa vieram à tona.

E eu que sempre acho que nada mais vai me surpreender nesta vida, fico de novo boquiaberto.

Na verdade nem é uma surpresa, ou espanto da minha parte. Trata-se mais de uma indignação antiga, que vai sempre se atualizando.

Na lista de credores da empresa há ex-executivos, que inclusive foram delatores da Lava Jato. 

E entre os montantes para serem pagos a esses senhores há valores na casa dos milhões. Mas calma. Fiquem indignados comigo. Não me deixem chocado assim sozinho como aqueles pastores que pregam com a Bíblia em praça pública desdizendo as bichas.

Não são assim milhões de um milhão para cada um. São milhões do tipo 14 milhões para um, 16 milhões para outro, 24 milhões, 74, 80 e 285 milhões.

O legal de escrever e deixar as coisas registradas no tempo é que há uns bons anos, no começo da minha vida adulta, ainda no primeiro ano de faculdade eu era um jovem sem trabalho nem perspectiva de um, me chocando com uma altas quantias de dinheiro que sempre aparecia na mídia em casos de corrupção e escrevi que enquanto uns poucos tinham milhões eu precisava de uns trocados para carregar o bilhete único.

Digo que é legal ter esse registro, porque pouco mais de dez anos passados, continuo sendo um cara precisando de dinheiro para carregar o bilhete único. A diferença é que no momento me encontro em uma situação de semi-emprego, que vem a ser melhor que um total desemprego, mas que está bem longe de ser o ideal assim, para pagar as contas e viver deboas.

Porque o elã todo onde quero chegar é o que se faz com tanto dinheiro? Porque não se precisa de tanto assim para viver uma vida razoavelmente feliz, confortável e com afeto, aproveitando o tempo que se tem.

Não tô dizendo aqui que sou o próprio Buda ou que vivo uma vida frugal. Perto de muita gente eu sou um privilegiado em muitas instâncias, ainda que num campo muito pessoal não estou muito perto de estar como gostaria.

Sei lá. Para mim continua tendo muita coisa errada em alguns ganhando muito, rios de dinheiro, enquanto outros passam sede, literalmente.

De maneira geral, individualmente é possível fazer exercícios de desapego, de menos consumismo, de uma mentalidade anticapitalista. Repensar hábitos de consumo e vida. Quais são as estruturas sociais que se mexem com a sua atuação na vida pública? Fico curioso para saber se coletivamente esse tipo de postura também é viável.




sexta-feira, 28 de junho de 2019

Um pouco sobre laranjas

Fiquei pensando nas provocações da Adelita sobre ninguém mais ter blog em 2019 e provocado pela Diana e pela Raíra, talvez, talvez eu tenha decidido voltar.

Até porque também eu sinto falta disso aqui. Deste exercício. Dessa prática. Sei lá.

Mas voltar com um blog para falar sobre o que exatamente? Quem estaria aí do outro lado? Quem estaria disposto a ler, a trocar uma ideia sobre as ideias? Qual seria o sentido e sobre o que falar?

A ideia deste novo blog sempre foi digredir. Cometer digressões diárias. Não que eu não as cometa, mas tenho me relacionado com as digressões de outra forma.

Até na terapia a volta do blog foi um tema. E nem fui eu quem falou sobre voltar com ele. Foi a Marta. “E o seu blog?”. Boa pergunta.

Fiquei pensando nas laranjas da Adelita. No tempo que precisa para comer laranjas. E laranja me lembra a casa da vó Justa em tardes de domingo, quando as tias descascavam laranjas e chupávamos as frutas na calçada. Não tenho o hábito de comer laranjas, mas já espremi muitas delas na vida. A vó Conceição sempre comia laranja depois do almoço. Era ela quem me botava sempre para espremer as laranjas e secar salada.

Engraçado como laranja me ativa memórias. Penso em processos criativos. Em coisas aqui de dentro que precisam sair na forma escrita. Nunca pensei que memória fosse um dos meus materiais de trabalho, para escrita de contos, romances, narrativas e peças. Mas se tem um pouco de vivência no que escrevo, não teria ali um pouco de memória também?

Fui ao mercado, mas agora refazendo meus passos, penso que esqueci de comprar bananas. Serão muitas horas e muitos dias de pé no próximo mês. Quero evitar cãibras.

Ainda assim, não consigo deixar de pensar nas laranjas. Que talvez uma boa solução fosse fazer suco.

Além disso laranjas têm me lembrado o governo Biroliro. E esse é um tópico que sempre me deixa muito triste e tenso. Daí pensar em digressões e em publicá-las. Se pessoas do campo progressista/revolucionário/antirracista reagiram com deboche ao filme da Petra, com quem eu acho que vou falar aqui e quem vai estar disposto ou disposta a me dar vinte centavos de atenção?

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Tropecei, caí

Tropecei, caí. É que não sou desses que consegue andar sempre em linha reta. Ainda mais quando eu me machuco. Sabe como é... as costelas comprimem o pulmão e o coração aperta de um jeito tão forte que parece que tão de pequeno vai acabar sumindo.

E eu já caí tantas vezes que o chão nem parece assim um lugar tão horrível assim. Eu sei que racionalmente eu tenho que reunir forças para levantar e seguir em frente, sempre em frente, porque é a única direção possível.

Mas essa trajetória não está fácil. Nunca esteve. Eu me perco com uns mapas antigos. Me iludo com miragens. Nutro esperança no que já foi. É errado, eu sei. É inapropriado, eu sei. Mas eu não sou de ferro.

Ao contrário. Enquanto eu acompanhar o giro deste mundo eu sou carne e sentimentos que eu nem sabia que existiam. E por mais difícil que seja ficar de pé, cada queda me deixa com menos medo de cair.

É que eu ainda quero respostas. Porque não há caminhada possível com tanto tormento nas ideias. Não é eficaz. Pode ser perigoso. Mas eu não tenho medo de lugares escuros. Por isso eu cavo, flerto com abismos, faço cagadas, como essa.

Talvez eu precisasse de uma lanterna maior, que iluminasse mais, mas é que depois de algum tempo o olho se acostuma com a escuridão. Mas olha, eu nem tô me justificando nem nada. Enfim, deixa quieto. Segue o baile. Vida que segue

Sinto muito se caí. Mas é que simplesmente não tem como não estar vulnerável. Não dá para fingir indiferença. Eu não sou bom em mentir. Também não vou bancar o forte. Nem negar as indiretas. Eu estava tentando o silêncio quando de repente tomo um tiro.

Talvez haja mais cuidados com as armas a partir de agora.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Então vem cá

Então vem cá. Me faz chorar beijando minha boca cheia de aftas. Invade minha boca com tua língua com teus lábios com teus dentes. É carnaval, meu amor, vamos suar. E como ficar sem camisa nos desfiles dos bloquinhos com esses buracos nos pelos do meu peito? O jeito é vencer a vergonha. Glitter. Vamos valorizar a história dos nossos corpos. E hoje o que ela conta é que eu fui fazer um exame de esteira. Para ver como anda o coração. O que significa que eu tô tentando me cuidar. Preciso comer mais frutas inclusive. Menos açúcares processados e industrializados. É que é tão gostoso bebê. É que é tão prático, meu anjo. É que dá um alívio na ansiedade. Vem me beija. É carnaval. Ninguém se pega nessa porra de cidade. É carnaval, vamos sair por aí. Vamos beber vodka com groselha. Taca purpurina na vida para disfarçar a tristeza. Oi meninas turupom? No tutorial de hoje eu vou ensinar como fazer uma make que não borra com as lágrimas. É quando os dias tão meio pombo, a vida tá meio pombo, uma montanha de bosta. Nada acontece, feijoada etc aquela coisa toda. Mas o céu. Meu amor. O céu tá promissor. As condições astrológicas estão favoráveis, entendeu? Agora vai, agora vai. Não foi. Não será. Não mais será. Mas o meu horóscopo ontem disse que. Mas como assim propício? Então vai. Vem cá. Vamos para uma festa de peladeza. Vamos nos endividar. Vamos voltar para a academia. Vamos escrever um novo romance, uma nova peça, vamos escrever até poesia e transformar tristeza em artesanato e vender nossas missangas na praia. Sair pixando a cidade, colando lambe lambe por aí. Mijar nessa porra toda. Toma aqui os quinhentos reais. Vamo cagar essa merda. E testar novas linguagens. Furar os pneus dos carros. Apertar a campainha dos vizinhos e sair correndo e correr e correr e correr como se estivesse na esteira e arfar e ficar sem ar e se beijar com falta de ar mesmo e com aftas na boca e com lágrimas nos olhos. Porque baby. Você não é a mesma pessoa de três anos atrás. Eu já quis morrer no carnaval, eu já trabalhei no carnaval eu já fui indiferente ao carnaval e já quis que o carnaval acabasse. Agora tudo o que eu mais quero é uma garrafa de champanhe, um baldin de gelo e vai subindo e carnaval feat pitbull. Eu tive fases. Mas Carnaval de Salvador eu só vou com tudo pago. Gostei de BBB, depois não gostei. Nem tudo consegui acompanhar. Depois gostei de novo. Até de novela eu era contra, depois não mais. E eu ainda assisto a novela de 2015. Daí a vida me atropelou. Já assinei o pay-per-view em edições anteriores. Agora eu assisto, mas não voto. E eu tenho nossos históricos. Comento mas não nado contra a maré do que a enquete do Uol determina. Se fosse só meu o programa seria outro. Como é possível a pessoa ser tão escrota assim? Não é assim que as coisas começam, sabiam? Mas mil coisas para fazer antes de morrer. 2018. Participar de um reality show. Vai ver nem precisava ter raspado os pelos no peito. Devia ter pulado fora antes. Marcado para depois. E o que é o amor? O foda é que a clínica corazon onde fazem o exame sem depilar só tinha data para março. De férias com o Ex. Mil maneiras de morrer antes de morrer. Uma merda. Depois riscar. Parece coisa que faz mais por costume porque alguém inventou em 1900 e boliha. Não levar os issues para a avenida. Né possível que com todo o avanço da medicina ainda não tenham desenvolvido uma cola eficaz para os eletrodos. Aproveitar a terapia. Fazer uma nova tatuagem. E um ensaio fotográfico nu. Entendo agora quem fica chateado porque fica careca quando tá com câncer. Nem ligo para o meu cabelo, mas dos meus pelos eu gosto. Tá todo mundo mal de novo. Vem gente. Vamo se abraçar. Curar as dores do mundo. #Sextou. É carnaval.  Vamo se beijar.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Orgia literária

Eu hoje fui à minha quarta festa do livro da Usp consecutiva desde que voltei a ir em festas do livro da Usp, em 2014, e em grande parte do dia tudo o que eu senti hoje foi uma euforia tão grande, que achei que valia registrar essa digressão de sentimentos.

Não sei se posso chamar essa euforia de felicidade, mas acho que foi algo bem próximo disso. Comprei livros como há um tempinho eu não comprava. Foi bem difícil fechar uma lista prévia, se ater e não extrapolar os limites e o orçamento estipulado, mas foi um desafio interessante.

Claro que faltaram vários livros e quadrinhos que eu queria e que com um pouco de sorte estarão lá no ano que vem, mas eu adquiri uns livros tão bons e há tanto tempo esperados que não posso deixar de comemorar.

A crise, porque sempre tem que ter um crise, é viver neste mundo em que eu ando carregando uma culpa que não é minha em relação às desigualdades. Mas é isso, né? Ter olhos e sensibilidade para as injustiças deste mundo faz às vezes com que a gente tome para nós uma culpa que deveria ser sei lá, de quem liga pros outros para pedir dois milhões, if u know what i mean.

Caixas de livros deliciosos, que gerarão ansiedade por não estarem sendo lidos todos ao mesmo tempo agora, que trarão prazeres inenarráveis devido às qualidades das construções narrativas, que deverão me puxar pelo peito, me chacoalhar por inteiro e fazer com que eu mude a minha vida e minha percepção e que provavelmente farão com que eu queira arrancar os cabelos, porque como assim eu nunca tinha lido isso antes ainda?

A segunda coisa que mais me arrepiou no dia foi o trailer de "Vingadores – Guerra Infinita", mas nem isso conseguiu fazer com que sumisse esse desejo de deitar na cama e ficar lendo um pouquinho de cada um dos novos livros, me esfregando em cada um deles, gozando com seus cheiros e conteúdos, tipo aquela cena de "Beleza Americana" da menina coberta com as pétalas de rosas, mas no caso, seria eu pelado, com os livros novos e até os antigos da minha estante.



quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Conjunto vazio ou falando com as paredes

Nada vezes nada vezes nada.

Falar e não dizer coisa nenhuma.

Eu ainda de verdade não sei o que é pior ou me atormenta mais.

É impossível uma terceira via?



{Ø}
 



quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Am-bu-lan-tes

Quase na maioria das vezes eles pedem desculpa por incomodar as nossas leituras, as nossas conversas e as nossas viagens.

Sim, precisamos falar sobre os ambulantes do metrô.

É que eu tenho tomado um pouco menos de metrô esses tempos, por motivos que não interessam agora.

Mas há uns bons meses é perceptível que aumentou a presença deles no metrô.

Abstraído no maravilhoso mundo da literatura confesso que eu me incomodei algumas vezes com vendedores nos vagões.

De repente uma voz sobressalta oferecendo algo que você não quer, não pode comprar e não precisa ou talvez possa, queira e precisa, vai saber.

É que do alto do meu conforto desta vida proletária classe C atrapalhava a minha leitura.

Mas daí eu parei para pensar. Uma voz que fala alto tentando me vender algo em um momento que eu estou fazendo outra coisa. Onde foi que eu vi isso antes?

Teria sido na TV, nos jornais ou nas revistas? Nos meios dos textos pela internet afora? Em banners, outdoors, relógios e pontos de ônibus? Talvez tenha sido antes, durante ou depois de um vídeo no Youtube ou vai ver é a cada três nos Stories no Instagram.

Ah, gente. Vamos lá, aula básica sobre como funciona o capitalismo, tá até no manual de como escrever uma boa redação para a Fuvest.

O capitalismo precisa de uma massa de desempregados pra garantir o lucro, porque é assim que a coisa funciona. Cortar gastos demitindo alguém que tem um salário “alto” e contratar outra pessoa pagando menos. É aquela velha história.

Brasil, crise financeira, desempregados, o povo precisando viver, botar comida em casa, boletos e etc. Acho que deu pra sacar qual é a ideia.

Num primeiro momento você se incomoda, né, com esse comércio ilegal do shopping trem. É uma disputa grande por espaço, sem falar que a oferta de produtos é excessiva.

Dia desses eu vi um pessoalzinho no Twitter comentando sobre isso.

Questão aqui é que o alvo tá errado. As pessoas que vendem bala fini, fone de ouvido, pendrive, lente pra selfie, pau de selfie, chocolate e afins são só... bem, pessoas. E estão dando duro e tentando fazer o melhor pra ganhar a vida, igual a qualquer um que não está naquela situação.

Então sei lá, fica aí a sugestão do exercício de empatia, solidariedade e expansão da mente e do ponto de vista. O trabalho dessa galera pode até te incomodar e você ficar morrendo de ódio, mais do que já morre de ódio na vida e no metrô paulistano. Mas ele não é tão diferente assim de toda a publicidade com a qual você já está acostumado, naturalizado e engole pacificamente.

No fundo essas pessoas não são tão diferentes de publicitários bacanas que ganham prêmios em Cannes. Sem falar que é um desperdício para o próprio sistema  que muitas delas não estejam em empregos formais. Há muita gente boa de lábia e criativa.

Lidar com uma série de adversidades e correr o risco constante de perder mercadorias em um jogo de gato e rato que não se esgota não é fácil e exige jogo de cintura, canela e esperteza. E tudo isso em nome de nada, daquele 1% sem rosto mais rico da população a quem esse corre corre no fundo protege e beneficia.

Então pessoal fica aí o reforço. A próxima vez que vocês sentirem raiva dos ambulantes no metrô, lembrem-se que na verdade esta raiva é do capitalismo e dos efeitos sociais que isto gera.

Beijos, paz e namastê.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

The Clock


Eu sei que tá rolando a Mostra, que daqui a pouco tem MixBrasil e antes disso tem Satyrianas e Balada Literária, mas tentem colocar na agenda algumas horinhas para ver “The Clock” uma das coisas mais legais em cartaz/em exibição em São Paulo e com entrada gratuita no Instituto Moreira Salles.

Pude ficar só uma hora ontem, mas a experiência é muito legal e pretendo voltar em breve para passar mais um tempo lá.

“The Clock” é ao mesmo tempo um filme e um relógio. Para ser mais preciso, a obra é uma instalação de um artista chamado Christian Marclay. Ela é composta de pequenos trechos de outros filmes em que há um relógio em cena ou menção à hora equivalente. Desta forma a hora apresentada na tela está em sincronia com a hora da “realidade”.

A montagem traz material de cem anos de história do cinema, sobretudo americano.

São muitas cenas e é muita coisa para prestar atenção, mas peguei “Amélie Poulain”, “O Exorcista”, Al Pacino em dois filmes - um deles “O Advogado do Diabo” -, Debra Messing, Samuel L. Jackson e Ben Affleck, que eu sempre disse que seria um bom Batman.

Senti como meu repertório cinematográfico é limitado. Deu vontade de ir pra casa, assistir ao smilhões de filmes baixados, deu vontade de ficar ali, deitado/sentado por horas a fio, vendo o tempo passar na tela em milhões de referências para a vida.

Deu uma puta curiosidade de pensar como em tudo foi feito, no trabalho que deve ter dado para editar e no tanto de tempo que demorou para o filme ficar pronto. Deve ter sido muito. Há arte até no fazer e na concepção de uma obra coma essa.

O que eu mais gostei é que “The Clock” tem uma narrativa própria, que pode ser acompanhada de qualquer ponto e que pode ser abandonada em qualquer ponto, inclusive talvez seja interessante dedicar algumas horas para a contemplação. Ver o filme de madrugada ou de manhãzinha pode ser uma boa experiência.

Diversos aspectos do cinema podem ser entendidos ali. Direção de arte, direção de atores, fotografia, dramaturgia, montagem e sonoplastia. Foi muito legal, por exemplo, prestar atenção aos efeitos de sons de um filme de kung-fu em que cada soco e chute é acompanhado de um som totalmente artificial produzido num estúdio.

Para além de toda a fruição estética e intelectual da coisa, ter visto “The Clock” me pegou muito porque vem coroar um ano em que eu fiz uma série de cursos teóricos sobre as etapas de produção cinematográfica no Sesc Pompeia e que foram um bálsamo para a incerteza permanente e agoniante que é “o que é que eu faço agora?”.

Tem um texto bem bom que saiu na Folha sobre a instalação, aqui. Recomendo a leitura, mas depois da visita.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Vista parcial do dia

Pela janela a promessa de um dia gelado, nublado, feio e sem poesia.

Mas foi só sair de casa, vestindo a blusa de frio que o céu abriu.

Na verdade, uma parte do céu já estava azul antes mesmo de eu ir para a vida.

E o sol também já dava sua cara.

Eu é que não conseguia ver nada disso, porque estava limitado pela visão que me é possível.

Em quantas metáforas é possível pensar?

O quanto o nosso ser/estar no mundo não é limitado pelo lugar em que a gente está?

A previsão do tempo não era otimista nem mesmo no aplicativo do celular.

Quer dizer. Às vezes nem as melhores ferramentas dão conta do imprevisível.

E mesmo com todas as previsões contrárias fez sol.

Só não me arrependi de ter levado a blusa porque à noite esfriou.

Mas o boné, recém-adquirido dia desses, fez falta. E como fez.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Liniker

Eu sei que todo mundo já deu sua opinião sobre o stories de Liniker no qual ela reclamava de um fã que havia passado a mão em sua bunda.

Teve esse texto todo cagado do Forastieri, teve esse que ia bem até dar aquela peidada molhada na tanga no final e teve o do Tony Goes que às vezes acerta, mas às vezes é o puro suco da decepção.

São tantos equívocos que eu também contribuir com meus vinte centavos, apesar de nem saber por onde começar.

Mentira. Vou começar pelos shows da Liniker no Sesc Vila Mariana que teve nos dias 21 e 22 de julho de dois mil e dezesexy.

Fomos, Raíra e eu, no primeiro dos dois dias de apresentação.

Conseguimos comprar o ingresso pela internet. Ê. Mas era balcão. Ah.

Liniker fez um show lindo. Lindo. Foi emocionante. De fazer me chorar um pequeno tico.

No final, na hora do bis, ela subiu por uma *passagem secreta* e foi do palco até o balcão pra interagir com os fãs que viram o show dela mais de longe.

Foi algo muito raro de se ver, sabe.

Uma artista cantando no meio do público, rompendo com essa relação fetichista e de divindade que cultivamos em relação aos famosos.

Ali, no meio da música, no meio do público, Liniker interagiu, tirou algumas fotos e não foi agarrada.

Ninguém se comportou descontroladamente.

Teve uma hora, quando tava para descer, que recusou uma foto que não estava rolando porque ela atrasaria o encerramento do show. E o Sesc, como vocês bem sabem, tem horário pra fechar etc.

Ainda assim, neste momento, ela deu a entender que receberia os fãs depois. Nem sei se recebeu. No dia seguinte uma amiga conseguiu tirar foto com ela no pós-show.

Mas essa história é pra contar que dá pra respeitar as pessoas, sem precisar fazer muito esforço. E não dói.

Inclusive, um dos momentos desagradáveis foi quando um cara que eu juro que aposto que é hétero chamou Liniker de gostoso umas duas ou três vezes.

Se era pra elogiar, que pelo menos chamasse de gostosa.

Daí esses dias eu estava lendo uns posts meus em um blog antigo que o Terra tirou do ar há algumas eras.

Eu falava sobre a primeira vez que eu tinha ido numa certa boate gay, que tinha passado a mão na bunda de uns boys e de como o Bruno ficou putíssimo comigo na época e de como eu não entendi o porquê.

Vai ver que pelo fator beleza o Bruno fosse mais assediado (talvez ainda seja) que eu nessa vida. Mas até então eu achava natural ir numa balada gay e eventualmente alguém passar a mão na minha bunda. Entendia isso como uma espécie de vibe do lugar.

Sexo, hormônio, desejo, liberdade.

Mas não é só sobre isso. Porque cada um tem um limite. A princípio antes, talvez, eu gostaria que passassem a mão na minha bunda. Mas agora vejo que isso pode ser muito inconveniente dependendo da situação.

E é curioso o Forastieri ter citado Luan Santana, porque eu fiquei justamente pensando no quanto seria impossível de o Luan fazer 1-) um show no Sesc, ou vá lá, numa Virada Cultural e 2-) ir para o meio do público. E no quanto isso é triste.

Simplesmente porque eu já fui em alguns shows do Luanilson, saudades, inclusive, e apesar de serem bons, não rola essa intimidade, essa troca, nem esse pé de igualdade entre ele e o público.

Mas né, até a Preta Gil, que não tem um público tão mainstream, tem seguranças pra tirar uns fãs mais exaltados do palco, que dirá Luan, que é total showbizz e tem um séquito gigantesco.

No mais, no meio do texto o Forastieri solta umas críticas aos artistas do circuito Sesc.

Eu tenho ido a um monte de shows no Sesc, sei lá, desde sempre. E olha, não fosse o Sesc ter uma programação eclética, diversa e relativamente barata, principalmente para quem é comerciário, eu não teria ido a metade dos shows (e peças de teatro também, mas isso é outra história) que fui neste ano e acho que em todos da minha vida.

Então o papel do Sesc é fundamental, ainda mais quando se ganha pouco.

O Sesc democratiza cultura, lazer, conhecimento e convivência.

Importantíssimo. Ainda mais em tempos de golpe e retrocesso.

A Maria Alcina, quando lançou seu “Espírito de Tudo” em um show no final de Agosto no Sesc Pompeia foi para o meio da pista e ninguém a assediou.

No mais, Liniker, você é maravilhosa, suas músicas tocam, inspiram e emocionam muita gente. Obrigado por existir e se bota mais pra jogo, meu amor.

Vamo que vamo.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

De tudo aquilo que te disse em silêncio e umas coisinhas mais (Parte II)

Sua testa toda suada.

Sei lá porque você está nervoso.

Em silêncio, tento te dizer: ‘calma, garoto, respira, vai ficar tudo bem’.

E volto a pensar na história. Nas histórias.

Na impermanência, na vida sobre a corda bamba. Um passo em falso e paf.

Principalmente para quem não tem muito equilíbrio.

Olhar. Olhar. Olhar.

Sua respiração vai ficando mais calma. Que bom que nós dois estamos calmos agora.

É o que vem depois da tempestade. A calmaria e a certeza de que se a gente sobreviveu uma vez, a gente vai sobreviver de novo. E tomar cuidado por onde pisamos. Para não repetir os mesmos erros e não cair de novo.

A próxima vez que alguém fizer algo parecido com isso eu meto o pé.

Devia ter terminado ali.

Não, antes disso. Talvez antes. Talvez ainda antes.

Olha. Se for parar pra pensar, não devia nem ter começado.

Olha. Se for parar pra pensar, quem é que devolve a minhas noites passadas em claro?

A impossibilidade doce da história que eu quero contar tem uma virada positiva no final.

Às vezes é melhor não ser.

No final você diz que a sensação que bateu foi a de que 'vai ficar tudo bem'.

Ponto dos meninos.


Sua testa secou.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Apenas um Rapaz Latino-Americano

É que às vezes acontecem algumas legais na vida da gente, e é legal registrar para deixar para a posteridade.

Aliás, a grande riqueza de fazer um blog meio diário é esse poder olhar para trás e ver o que já se passou.

Textos que passado tanto tempo, fazem pensar em quem era aquela pessoa, qual exatamente era o problema pelo qual eu estava desabafando e o que tinha acontecido.

Mas já me alonguei demais em reflexões.

No mês passado a editora Todavia, recém-chegada ao mercado editorial, lançou a biografia do cantor Belchior.

Entre as atividades que eles promoveram para marcar o lançamento estava um happy hour na sede da própria editora.

Lá rolou um encontro de livreiros com o autor, o jornalista Jotabê Medeiros.

O legal foi que Jotabê sempre foi uma referência para mim em jornalismo cultural desde os tempos em que eu era apenas um rapaz latino-americano estudante de jornalismo sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior (Guarulhos, no caso).

E de repente eu estava lá. Entrevistando-o. Não assim, o ping-pong do século, mas num dado momento do evento, puxei-o de canto e fiz algumas perguntinhas. Mais ou menos improvisadas, mais ou menos planejadas. Sem anotações, gravadas no celular, o que uns figurões do jornalismo talvez condenassem e etc.

Desde então eu estava encalacrado para que o texto saísse, mas como a Ana estava de férias, demorei um pouco mais do que devia na função.

Além de escrever a matéria, me vi na investigação básica de escutar Belchior, de quem eu sabia que conhecia apenas “Como Nossos Pais” e “Apenas um Rapaz Latino-Americano”.

E daí que eu tenho ouvido Belchior por esses tempos. E muito de música brasileira. E Almério, que foi a recomendação musical do Jotabê durante a entrevista.

Nesta semana, o texto foi publicado. E achei legal registrar por aqui um pouco dos bastidores e a minha descoberta deste músico/compositor, por quem estou apaixonado ultimamente.

No dado momento eu estou lendo “Minha Vida Não Tão Perfeita”, da Sophie Kinsella, e já separei uns 20 livros mais ou menos de autores e temáticas que de alguma forma dialogam com o há meu próprio fazer literário. Afinal de contas seria legal estar mais afiado para os debates sobre literatura LGBT no ano que vem.

Apesar disso, sinto que “Belchior – Apenas um Rapaz Latino-Americano” é o próximo livro que eu vou ler, porque a minha alma está gritando por isso.

No mais, fica também o registro da minha total falta de traquejo social para interagir um evento em que eu conhecia apenas uma pessoa, mas fui super bem recebido por todo mundo. Isso e um obrigado aos envolvidos.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sobre o amor em uma hora e vinte de exercício

Então a gente se mete a querer fazer arte.

A saber como é o processo artístico do outro. E aí a gente se dispõe a estudar e a fazer cursos livres.

Conte a sua história sem usar palavras.

Apenas com o olhar.

Foram as instruções.

Foi a coisa mais forte e intensa que aconteceu comigo nos últimos tempos.

Tentar, nesse fluxo de olhar, respiração e toque, narrar a minha história.

A história que eu estou querendo contar na verdade.

Porque uma parte da minha história eu acabei de transformar em ficção. E agora eu nem sei se que quero mais ficar revirando, remexendo e cutucando ela.

Não mais do que eu já fiz por livre e espontânea pressão.

Então eu comecei a pensar na próxima história que eu quero contar. Que deve ser o próximo projeto no qual vou trabalhar.

Fui instigado a pensar no meu tema. Cabe um plural aqui.

Quais são os meus temas?

Quais são os temas dessa história?

O tempo? O amor?

A impossibilidade de uma relação amorosa? ¯\_(ツ)_/¯

E então, falar. Escolher uma palavra que sintetize tudo.

E eu penso na história. No final do livro. E falamos quase que ao mesmo tempo.

Esperança-Cumplicidade.

Esperança e Cumplicidade.

Uau. Um par.

Puta que pariu. Você quer me desmontar, é boy?

Porque eu aqui, pensando nas impermanências. Que você também não me aceitaria. E você me vem com cumplicidade?

Porque né. A esperança. A esperança anda em falta. É por isso que pairou sobre a sala e se repetiu.

Porque talvez eu também seja meio óbvio.

Porque a esperança tá escassa.

Mas se tem uma coisa que é mais rara que a esperança, porque esta, apesar de tudo a gente mais ou menos vai aprendendo a cultivar, esta coisa é a cumplicidade.

Porque boy, a cumplicidade é muito mais difícil de encontrar.

A cumplicidade é para poucos.

E eu pensei. No quanto eu busquei a cumplicidade e no quanto não encontrei.

Sabe. Aquela pessoa que é sua parceira no crime? Que vigia a rua para ver se não vem vindo ninguém enquanto você comete o delito?

Um milhão de vezes mais difícil de acontecer.

Acho que nem nunca aconteceu. Pelo menos no sentido amor romântico da coisa e precisamos implodir o amor romântico.

Porque romântico de verdade é beijar na sarjeta.

Mas cumplicidade seria uma palavra possível. Porque talvez tenha algum tipo dela na história em que eu quero trabalhar. Porque talvez seja algo escondido, mas que precisa ser visto.

E eu achei uma maneira de me colocar no filme.

Nem que for começando por fazer uma nuvem de tags relacionadas com a história que agora eu quero contar.

Você me fez lembrar de palavras esquecidas.

E em uma hora e vinte e pouco de exercício a gente conversou, sem conversar.

E eu adoraria falar mais com você.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Chuva na Cracolândia ou uma pequena digressão

Chove na Cracolândia.

É bom.

Pelo menos para quem está abrigado na Cracolândia.

É bom.

A chuva dilui o cheiro de merda na calçada.

Pelo menos hoje sabemos que o estômago não vai embrulhar.

Se vier com mais força, o fluxo da água pode até limpar a sujeira do meio fio empurrando-a para entupir os bueiros da São João ou da parte mais baixa da Barão de Limeira.

Chove na Cracolândia. E me dá uma saudades de Copacabana.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Podemos falar sobre ovos?

Hoje eu passei cola Pritt na boca ao invés do protetor labial. Vai ver me confundi por causa da cor e do formato das embalagens vermelhas. Só me dei conta por causa do gosto, porque a consistência das gosmas em bastão são as mesmas.

Mas podemos falar sobre ovos?

Do quanto eu gostava de chupar seus... epa!

Com os ovos que te atiram você pode fazer uma omelete. Se for mais ousado e disposto talvez dê para fazer um bolo. Rola também uma fritada. E gemada. Faz tempo que eu nem ouço falar em gemada.

Às vezes, de sábado, ou quando saio mais tarde de casa em dias de semana normais, passa na minha rua o carro dos ovos. É uma delícia, de sabor incomparável. Não. Errei. Esses são os sorvetes.

O carro dos ovos que passa é o que vem direto da granja. Aquele que as galinhas ficaram malucas e o patrão mandou vender barato.

Sempre fico com dó das galinhas nesta parte do áudio. Criadas em condições horríveis e obrigadas a suportarem o gaslighting – a manipulação de terem suas sanidades questionadas. Vamos convir afinal de contas. Se você vivesse apenas para produzir em larga escala e em condições sub-humanas você não enlouqueceria?

Mas se tem uma coisa que eu gosto no carro dos ovos é a exposição de o quanto o plural é desnecessário e está em desuso. Bonitos ovo. Acho de uma poesia e concisão singulares.

No mais, antigamente, quando o espetáculo era ruim, as pessoas costumavam atirar comidas na apresentação. Tomates, repolhos e até mesmo ovos.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Mas eu lembro que foi assim

O ser humano e suas contradições.

Dá vontade de fazer uma festa pra celebrar a incoerência.

Lindeza.

Hoje eu acordei com uma dor no maxilar, com ele meio rígido. Com uma meia dor de cabeça. Sem falar no sono e no frio.

Sonhei que participava de um debate. Sobre a buchinha da pia. O mundo contra eu. O universo versus o Will. É que eu gosto de deixar a bucha de lavar a louça com sabão. Tipo, depois que eu lavo a louça. Sei lá. É uma agonia que dá da bucha seca. Às vezes você só precisa passar uma buchinha numa colher que você colocou na boca e não lavar a louça de um batalhão da infantaria. Daí a agonia da bucha seca. Se ela tiver sabão, pronto. É só dar aquela esfregadinha e já dá para enfiar a colher de volta no pote de doce de leite, por exemplo. Eu tentava argumentar que era triplamente econômico deixar sabão na bucha. Economiza-se tempo, economiza-se água (que gasta para tirar o sabão da bucha), e economiza-se detergente (que você usou para fazer o sabão e tudo o mais).

As pessoas que estavam no sonho, não lembro quais, me condenavam, falando que aquilo era nojento, porquice, que dava problemas de saúde e higiene, que eles tinham visto no Buzzfeed. A tia Lorilei foi a única pessoa do meu sonho que me defendeu. Me senti injustiçado com todo aquele julgamento sobre mim. Qualé galera, vamos todos morrer mesmo. Não lembro como foi que tudo acabou ou porque aconteceu. Mas eu lembro que foi assim.


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Mais do mesmo mais ou menos

Um dos vários conselhos que os especialistas dão para controlar a ansiedade é prestar atenção à respiração e respirar melhor.

Eu tento me concentrar na respiração para me acalmar, mas fica difícil inalar o ar poluído e seco desta cidade.

Daí eu me concentro na sujeira que entra em mim, nas catotas que vão se acumulando no nariz e penso que a cada respiração eu fico mais perto da morte e assim será até o último suspiro.

Esta semana eu acho que eu terminei meu livro. Pelo menos uma primeira versão antes de reler, reescrever e revisar. O projeto de uma vida e um puta trabalho, mas acho que vai valer a pena continuar.

Demorei a pegar no sono depois de colocar o ponto final. Recorri à técnica da insônia produtiva e fui assistir série na Netflix. 3%, caso alguém esteja curiose.

Daí torcer para essa chuva que ameaça cair, cair de fato, já que ela está chegando meio tímida como quem não quer vir.

Hoje de manhã o Facebook carregou aquelas lembranças de tempos atrás. Uma garrafa de cerveja e um copo. Tudo ali. Cinco anos. Eu sozinho com o mesmo desejo de hoje em dia: o de sentar na mesa de um bar e tomar uma gelada.

A vida, de lá pra cá, mudou em vários sentidos, mesmo que algumas coisas permaneçam inalteradas.