domingo, 26 de julho de 2020
Reconhecer que era eu
sábado, 18 de julho de 2020
On testing novas possibilidades
quinta-feira, 16 de julho de 2020
As coisas como são
Cliquei na notícia, mas eu tenho muita agonia dos links do Facebook, com aquele &fbclid= que fica na barra de endereços. Então apago o &fbclid= e clico de novo na notícia que tem o instagram do Banksy embedado. Não sigo o Banksy no instagram, o que é um tanto irônico, pois adoro o Banksy. Tenho duas camisetas dele, da menina que solta o balão do coração e do punk jogando um buquê de flores. Acho que tenho a da menina do Napalm com o Ronal Mc Donald’s e o Mickey, mas talvez, se tiver, está em Guarulhos.
Uma loucura não segui-lo no instagram, eu às vezes penso em tatuar algum dos desenhos dele. A menina do balão, talvez. Daí eu penso que é muito legal, né. Isso de ser misterioso e tudo o mais. De identidade desconhecida. Que a arte que fica em primeiro plano. Evita decepções, né? Vai que na vida real, como ser humano ele é meio babaca, com opiniões racistas, machistas, homofóbicas ou misóginas.
Não, alguém com esse tipo de posicionamento artístico não poderia ter uma opinião dessas. Corrijo então meu deslize de uma vida, apertando o botão seguir. Não vejo vídeo, pois preguiça de ver vídeos enquanto penso na notícia. O metrô de Londres proíbe terminantemente grafites então remove o do Banksy, mas afirma que talvez liberem um espaço para ele. Daí deixa de ser contestatório, ou não? Perderia a força da intervenção, certo?
Em todo caso, uma nova timeline me atrai com seu fluxo. Dessa vez são os Stories. Isso porque eu tava com preguiça de ver vídeos. Mas fazia tempo que nada do Chico Lima aparecia pra mim e da última vez era uma homenagem de aniversário para um amigo (ou seria um boy? – não ficou claro) que eu achei tão legal. Então vejo, ele divulgando uma feijoada vegana do SubteVegan que me encheu de vontade, então passo a seguir o comércio. Vai que sobra uma graninha no malabarismo orçamentário pra pedir uma comida diferente qualquer dia desses.
Continuo vendo os Stories do Chico, ele replica a página da produtora de Tremor Magnífico, que estreou um pouco antes da pandemia. Não deu tempo de ir ver. Eles estão vendendo o libreto da peça. Já que não é possível estar no teatro é um modo de dividir o trabalho com o mundo. Passo a seguir a Jasmim Produção, mais informações no link na bio. É um linktree. Gosto demais desse conceito.
Vou parar no Youtube. Há um teaser de Lobo no canal. Choro sangue. Saudades Lobo. Fui ver duas vezes essa peça no começo do ano, no verão sem censura. Tinha visto ano passado, na MIT também. Queria a camiseta de Lobo, da faca. Não tinha mais o meu tamanho. Há também uma entrevista com a Carolina Bianchi, que está muito boa, onde ela fala um pouco do seu trabalho e do seu processo artístico.
Eu tô desde março do ano passado pra escrever um e-mail para Carolina pra dizer o quanto Lobo foi importante na minha vida. Lembro da história do Amyr Klink, que a Jout Jout contou uma vez no canal. Ele sai para navegar o mundo e dá uma missão para o caseiro, que ele consertasse uma janela. Amyr volta depois de dois anos. A janela ainda está quebrada. O caseiro diz que não deu tempo pra fazer o conserto. Fico pensando nas minhas janelas quebradas. O tempo para quem está em trânsito é diferente para quem está preso, confinado, quarentenado, sem poder escapar de um país, de uma realidade.
As pequenas coisas vão demandando atenção, a vida vai passando e de repente quando a gente olha, puxa já passou tudo isso. O tempo que leva para dar a volta ao mundo é o mesmo que leva para não se fazer nada. Eu só queria poder agarrar o tempo com as mãos e controlar ele um pouquinho que seja.
Meus acúmulos me aborrecem. Listas de coisas pra fazer, ler, escrever, ouvir que só crescem em direção ao infinito. É um tanto quanto exaustivo. As coisas, né, como são. Penso tudo isso com saudades de Lobo e vendo o teaser e o quão maravilhosa foi aquela peça. Daí pego o Shazam, que amo esse aplicativo, e ele me mostra que a música da peça-teaser, chama Eternity, de um tal de Vitalic.
Procuro no YouTube e acho esse vídeo aqui que fico apaixonado. Descubro um novo filme para ver. O Conto dos Contos. É com a Salma Hayek. Dá vontade de ver Frida de novo. E Assunto de Meninas. O filme é de 2015. Tem na Globoplay. Lembro de onde estava e o que eu estava fazendo naquela época. Foi um dos piores anos da minha vida. Tinha coisa pra viver e descobrir, mas me atirei numa fogueira em uma ilusão de amor. Talvez seja a hora de tirar uns atrasos e tentar consertar mais janelas já que não dá pra sair pra navegar.
quinta-feira, 9 de julho de 2020
Nota cítrica
sexta-feira, 26 de junho de 2020
Sexta-feira psicológica
quinta-feira, 25 de junho de 2020
Sobre lendas e feijões
| O melhor PF do mundo, na esquina da Farme de Amoedo com a Visconde de Pirajá em Ipanema |
Da minha parte eu sei que não fui criado para desenvolver autonomia, então me esforço para ir contra o que tentaram fazer de mim e fazer de mim o que eu quiser. É custoso e exaustivo. Não tem glória nenhuma aqui. Se quiser uma história de sucesso você está no blog errado.
| O restaurante Regina, no Arouche. Saudades do tempero desta comida |
sábado, 13 de junho de 2020
Postei uma foto pelado no instagram
Meu público sempre foi majoritariamente feminino. Homens não costumam ligar para a minha existência.
Pelo tom dos comentários a foto surpreendeu as pessoas. Diana achou ousada. Raíra pediu a versão sem censura. Recebi uma cantada mais abusada pedindo a foto sem a berinjela na DM, mas desconversei. Fiquei pensando nisso. Nessa nossa má relação social com o corpo humano nu.
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| Pensei também em postar aqui, sem censura, para leitores e leitoras ocasionais |
sexta-feira, 12 de junho de 2020
Pedras I
Até que surge um pequeno e levemente pavoroso silêncio porque você se perdeu nos pensamentos enquanto ouvia o que ele tinha a dizer sobre ele mesmo. Você analisava o que ele estava dizendo e como estava dizendo e seu cérebro projetava a sinastria e você se encantava com o sorriso dele, o sotaque, a respiração, o corpo, as costas das mãos, a bunda, a mala, as pernas e as orelhas e aí.
quarta-feira, 10 de junho de 2020
Processo de transformação de um texto
Como eu sabia que não ganhar era uma possibilidade, comprei a ideia da Raíra de que se não fosse escolhido, teria pelo menos um post novo para este blog.
Pois vim aqui contar um pouquinho como foi o meu processo. Fiquei sabendo do edital no dia que ele foi lançado, mas deixei para me inscrever no último dia. Sem problemas. Eu estava ruminando o texto em segundo plano na cabeça, então quando sentei para escrever o texto simplesmente saiu.
Quer dizer, mais ou menos.
Confesso que eu não sabia muito bem sobre o que iria escrever, ou como, mas quando peguei meu caderno, uma caneta e sentei para escrever, o negócio fluiu. Até demais. Eu tenho um pouco isso. Esse gosto, hábito, mania, tesão de escrever à mão. Era uma prática mais comum em tempos pré-pandêmicos, durante intervalos, uma espera em mesa de bar, momentos entre compromissos, no Sesc, na rua, na praça de alimentação do shopping depois do almoço.
Então eu escrevi uma versão de um texto, que depois digitei. Considero o digitar uma espécie de reescrita onde geralmente reelaboro o que não ficou tão bom no papel. O resultado tomou a forma que reproduzo abaixo:
Repetir, depois que tinha parecido a própria eternidade, aquele trajeto de outrora.
Outrora. Gostava daquela palavra que remetia a outros tempos, tempos estes anteriores àquele em que o mundo tinha virado de cabeça para baixo.
Já há muito tempo que esperava aquela ligação. Ei, tu pode vir hoje? Tá livre? Tô. Ok. Pra entrar às duas, tá? Beleza. Obrigado de chamar.
E então lidar de novo com aquela euforia que vai do coração ao queixo, tomar um banho, preparar alguma coisinha para comer na pausa. Mandar uma mensagem no Whatsapp para as amigas, com quem compartilha detalhes da rotina, contando que foi chamado para um dia de frila, “hoje tem evento”, “graças a deus”, “tô cansado, mas precisando do dinheiro”.
E voltar aos preparativos. Colocar a camiseta e a calça jeans, mesmo com este calor, mesmo depois de todo o vírus, porque trabalhar de bermuda não pega muito bem.
Tomar o metrô e descobrir naquele percurso um novo sabor, o da retomada de coisas que mudam permanecendo as mesmas e das coisas que permanecem iguais mas que se transformaram de um jeito difícil de explicar, captar ou apreender muito bem como.
Durante o trajeto pensa o ar, como se este estivesse mais denso e era isso que tornava os cumprimentos tão desajeitados. Como se agora tivesse que aprender uma nova língua, comunicar os afetos de outro jeito, inventar uma nova gramática, reaprender o que fazer com as mãos, o quanto abrir os braços, qual a velocidade ideal de um aceno de mão de distante. Porque se for muito efusivo pode demonstrar muita afetação e o que os outros vão pensar? Uma alternativa melhor seria aquele toque de cotovelos que surgiu antes de todos os eventos serem suspensos e havia especialistas dizendo na televisão que o ideal eram as palmas das mãos coladas em posição de Namastê ou a leve reverência curvando o tronco para a frente como fazem no Japão.
Uma bobagem essas novas etiquetas quando o metrô continua cheio do mesmo jeito."
Pois bem. O edital pedia 800 caracteres, contando espaços, que é praticamente nada. A primeira versão tinha 2.035. Para um texto deixado para a última hora, era relativamente bastante.
Fiquei na dúvida entre jogar fora e fazer outro ou trabalhar nele mesmo. Optei pela segunda alternativa. Então começou a operação edição. Cortes. Como sintetizar o texto e as ideias e manter uma essência?
Como abrir mão de frases ou trechos que me agradavam bastante? Passar a tesoura, praticar o desapego e ainda assim tentar chegar a um resultado minimamente satisfatório?
Fui ouvir meus áudios de Whatsapp e ler os comentários durante este processo de enxugamento. É um corta daqui, corta dali. Entendi que estava diante de um exercício de concisão. Foi um desafio fazer. Fui derrubando parágrafos e eliminando artigos. O primeiro corte significativo cheguei a 1078 caracteres. Então cheguei a 974. Depois 907, 871. Nessa hora eu fiquei pirando. Até então achava que o mais difícil seria escrever.
Cheguei a 802 caracteres. Dois acima do que o concurso exigia. Ainda precisava fazer caber. 791. Parecia ok. Duas pequenas modificações que resultaram em 796 caracteres. Inclui então um “as” em “as palmas das mãos” e daí cheguei aos 799 caracteres que compartilho com vocês a seguir:
Já há muito que esperava aquela ligação. Tu pode vir hoje? Posso. Pra entrar às duas, tá? Beleza. Então lidar de novo com aquela euforia boa de correr pra dar tempo. Tomar banho, cozinhar. Vestir a calça, mesmo com o calor, mesmo depois do vírus. Bermuda não pega bem.
Notar no caminho o ar mais denso e perceber como isso fazia os cumprimentos tão desajeitados. Era preciso outro jeito de se comunicar, descobrir o que fazer com as mãos, o quanto abrir os braços, a velocidade de um aceno. Alternativa seria o toque de cotovelos e dizem na TV que ideal eram as palmas das mãos coladas em posição de Namastê. Ou a reverência que fazem no Japão.
Etiquetas bestas. O metrô continua cheio como antes."
Agora eu quero ler outros textos do concurso. Quer tenham sido contemplados, quer não.
terça-feira, 26 de maio de 2020
Do que não saber o que fazer com o tempo
Foi esquisito a sensação de ter finalizado uma parte do filme e mais esquisita ainda essa sensação de não saber o que fazer com o tempo.
sexta-feira, 22 de maio de 2020
A Tese do Mestrado
Desta forma a minha tese ia explicando o mundo. O biroliro por exemplo é uma performance para o mestrado dele, onde ele se inscreve como sujeito e observador do experimento ao mesmo tempo. Pessoas queridas falando besteiras nas redes sociais, com certeza é para investigação do mestrado delas, porque só isso explica eu não conseguir entender o que se passa na cabeça desse povo.
Mas eu gostaria muito que fosse.
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Como ganhar um edital
Hoje foi o primeiro dia de inscrição, que vai até quarta e eu não escrevi uma linha de nada por causa do tema: a vida pós-pandemia.
Minha inércia tem uma boa razão de ser. Estou completamente tomado pelo pessimismo. Ou talvez eu seja bom nisso de arrumar desculpas para mim mesmo.
Tudo que eu consigo pensar sobre vida pós-pandemia é que por mais que iniciativas pontuais e bacanas de solidariedade tenham aparecido, tem muita gente escrota no mundo.
E o mundo, como sabemos, já passou por muitas crises e estamos onde estamos por tudo que fizemos antes, durante e principalmente depois delas. Não melhoramos depois da escravidão, do nazismo, da crise espanhola, da epidemia de hiv, do 11 de setembro ou da boate kiss.
Não há luz num horizonte próximo. Pelo menos nada assim que eu consiga mensurar. Não deixaremos de acreditar nas ficções que são o dinheiro e a economia e não conseguiremos inventar um novo modo de viver, simplesmente porque nem tentaremos.
Porque falta adesão à vontade de mudar o mundo. A gente nem acredita mais que isso é possível.
Porque agora, que é agora, a gente não liberou as faxineiras e as pessoas mais precarizadas não estão ficando em casa - às vezes nem casa têm para se ficar. Como é que se pensa um pós, um futuro, quando o presente é altamente incerto e desemprego, falta de propósito e desigualdade se acentuam?
Que tipo de ficção é possível de ser inventada num cenário como esse? Que tipo de ficção tem chances de ganhar um edital? Oras, você não é escritor, inventor, criativo? Pois, crie!
Neste momento, pensar em futuro me faz oscilar. Na vida, de modo geral, pensar em amanhã só me dá vontade de chorar na cama prostrado em posição fetal. Se, por um acaso eu conseguir até lá pensar em algo para o edital, será para chorar as pitangas de um mundo cada vez mais injusto e cada vez pior.
Uma epidemia que não serviu de nada para tirarmos algum tipo de lição, porque enquanto ela está acontecendo há marmanjos na rua da casa do Lucas empinando pipa.
Por outro lado, acho que pra ganhar um edital, talvez o segredo seja investir em uma narrativa mais edificante, mais bonitinha, mais conforme dizem especialistas das novas etiquetas que surgirão. Mais como foi a capa do Segundo Caderno d’O Globo de Sábado. E eu que já não suportava etiquetas terei que conviver com novas.
A imagem que me vem desse futuro pós-pandemia é a daqueles desenhos que ilustram o céu em folhetos das Testemunhas de Jeová, em que crianças multiétnicas brincam com leões e tigres num cenário de relva verde, lagos e árvores frutíferas.
Vou descrever uma dessas. Pintar em 800 caracteres essa paisagem idílica. Vai que assim eu sou contemplado.
sexta-feira, 8 de maio de 2020
No meio de tudo isso
Não ando lendo mais o horóscopo mensal para não criar expectativas com as boas quadraturas entre os planetas ou os aspectos tensos entre os astros celestes.
Não estou acompanhando com tanta regularidade os horóscopos diários também. A rotina virou água que corre pelas mãos. Cada dia é uma surpresa em relação a com quais sentimentos terei que lidar hoje.
Fica difícil processar o que se passa internamente quando parece que o chão desaparece, a normalidade de antes virou pó e o mundo físico que nos cerca é como se derretesse.
Do mundo espiritual eu queria uns sinais, sentir umas conexões, mas meus canais devem ser todos bloqueados.
No meio de tudo isso ainda tentar dar conta de alguma produtividade, eficiência, seguir com o projeto do filme. Abraçar outras ideias, anotar em cadernos ou blocos de notas boas sacadas para depois, textos, contos, observações que só devem ganhar corpo dias que chegarão sabe-se lá quando, se é que chegarão.
Esses dias tava escovando os dentes e tive um lampejo de uma ideia para o que seria o meu projeto de mestrado. Não anotei uma linha mais a sério sobre isso. E sim, o mundo de ponta cabeças, o futuro cada vez mais sinônimo de incerteza e a bonita sonhando, que é o que resta.
Junho tá aí, sendo que maio mal começou. Mais uma semana se foi.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
Tudo que a gente tem é o hoje
Tá, marindo?, perguntou a a uva para a outra. Não, tô milho!, respondeu a outra para a uva.
E terminar aquela panela gigante foi uma questão que me absorveu até que ele enfim acabasse. Dei a última garfada nele na terça seguinte antes que ficasse mais intragável do que já estava.
O negócio é que as preocupações de hoje (daquele hoje) nem serão preocupações daqui a duas semanas, apenas lembranças, memórias até dignas de esquecimento. E a questão aqui é que o hoje é tudo o que a gente tem, porque já já hoje acaba e amanhã vira o novo hoje.
Eu preciso cozinhar de novo. Talvez faça macarrão.
terça-feira, 28 de abril de 2020
Anotações esparsas num papel avulso há cerca de dois meses
terça-feira, 14 de abril de 2020
Perca a libido agora pergunte-me como
Faz tempo que tenho pensado muito sobre isso.
Meu tesão constante, minha vontade de chupar rola que não passa nunca e o lugar que o sexo, o amor e os relacionamentos ocupam em minha vida.
Mas esses tempos eu ando achando tudo muito chato. A forma como a gente transa. A forma como a gente se relaciona.
Ensaiei ou pensei em escrever uma peça teatral sobre isso. Sobre essa inquietação que fica rodeando a minha orelha. Mas seria tão chata mas tão chata que não abri sequer o Word para começar a digitar. E também falar o quê?, para quem?, sobre o que?, e como exatamente?
Tudo aquilo sobre o que eu gostaria de discorrer não parece se encaixar em nenhuma forma. Ou pelo menos nas formas que tenho buscado.
Pode ser também essa autoconfiança na certeza de que eu penso sobre todas as variáveis de um problema, reproblematizando tudo por outro lado, só que sempre há algo que escapa. E o que vem é o senso comum como resposta. A simplificação das mais ignorantes.
Se não tenho tanto prazer em ser penetrado ou penetrar e gostaria de pensar o sexo para além da penetração é como se houvesse algo de errado comigo. Eu que preciso me resolver. Não o mundo que funciona de um jeito muito certo, não é mesmo? Eu que lute.
Quase como quando alguém olha um quadro em uma exposição e diz que uma criança poderia ter feito aquilo. Que o quadro na parede não é arte.
Ou na cena do Parasita em que o boy fala que a criança é muito talentosa por ter pintado um Chimpanzé e a mãe informa que aquilo é um autorretrato.
Para quem não tem o hábito de desenhar ou se expressar por essa via artística, como eu, a escrita é uma forma de se retratar. E como eu estou o tempo todo pensando sobre escrita e sobre sexo, não consigo escapar de escrever sobre mim.
E nestes tempos tem aparecido essa impotência sexual. E não nestes tempos quarentenados. A crise é anterior à crise.
Uma escassez de sonhos eróticos. Uma falta de imaginação para se masturbar. O condicionamento de estar sempre com gadgets na hora do onanismo. Meu lance são contos eróticos, mas também não dispenso vídeos, de preferência amadores.
Da última vez que eu transei eu brochei e não gozei. Mas também não era porque meu pau não estava duro que eu não estava gostando do sexo em si. Outrora muitos caras ficaram espantados porque minha ereção demorava a abaixar depois da ejaculação.
O boy com quem transei da última vez (já faz 84 anos) me perguntou quantas vezes eu tinha me masturbado pensando nele desde que tínhamos nos vistos. E ficou um clima embaraçoso, porque a resposta era nenhuma. Mas também faz tempo que eu não me masturbo pensando em alguém em especial e quando eu digo que faz tempo, faz muito tempo mesmo. Tipo bota uns 15 anos aí. Uma sexualidade quase toda que condicionada, acostumada, habituada. Uma vida sexual sedentária, preguiçosa, modorrenta. Ele tinha se masturbado duas vezes só naquele dia antes de nos encontrarmos. Obviamente me deu curiosidade de saber se eu havia sido homenageado alguma vez, mas fiquei sem jeito de perguntar. Fazia uma semana quase que eu nem tinha gozado. E óbvio que ele achou aquilo esquisito.
Em todo o caso, a inquietação vem da forma como o sexo de uma forma geral na sociedade contemporânea vem sendo feito, reproduzido, ensinado, encenado, discutido, debatido, visto, consumido e narrado.
Mas vai ver é só comigo.
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Do equilíbrio necessário
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Retomada
domingo, 5 de abril de 2020
Ao vivaço
Minha questão com as lives está longe de ser fruto de um posicionamento. Não é advinda da leitura de algum artigo sobre tristeza, confinamento e angustia das redes sociais em época de pandemia.
Mas foi tudo muito rapidamente.
As pessoas transmitem seus conhecimentos, seus shows, e até suas baboseiras e para mim tudo chega muito fra g men ta do pi co ta do tra va do len to.
E é como se tivesse ficando de fora das melhores festas, sendo expulso do clube, ou perdendo algo muito importante, mesmo sabendo que no fundo, no fundo, não estou perdendo muita coisa.
terça-feira, 31 de março de 2020
De como eu gostaria de que o mundo fosse depois da crise toda
Viu, como não era tão importante aquilo tudo que você achava tão imprescindível? No final das contas tudo aquilo pelo qual você se orgulhava ruiu, não é mesmo?
E as suas dozes horas de trabalho que praticamente serviam
de alento para que você preenchesse disfarçasse suas angústias era tudo uma
mentira que você contava para si mesma.
Nem você consegue parar uma pandemia.
Então você descobre que não é tão incrível assim. E que não tem superpoderes. Sua vida é só mais ou menos e essa é a maior libertação possível a que se pode chegar.
Sabe, eu estava há tempos pensando que eu não lembro mais quando foi a última vez que eu ouvi um CD inteiro.
Porque esses dias eu acordei com vontade de ouvir umas músicas. E hoje me bateu um estalo de ouvir R.E.M e eu nem sabia que eles têm um Acústico MTV. Unplugged, no caso, que chama.
Mas é. E a versão de “One I Love” é bem bonita. Isso porque nem está na integra no Youtube e o Spotify só deve ter na versão americana o CD inteiro. E esta é vai para aquele que amo, esta vai para aquele que eu abandonei. Meo deos. Como essa música é bonita. Uma música para alguém que você já amou.
Daí lembro de “Best of You”, do Foo Fighters, que gosto mais na versão do Stereophonics.
Também deu vontade de ouvir a versão acústica de “State of Love and Trust”, além das versões de Pearl Jam para The Doors. E por falar em Pearl Jam tem o clipe de “Do The Evolution”, que é quase um curta de animação e eu fico pensando que sempre que eu conseguia ver esse clipe muito raramente na televisão era um fenômeno e como todas aquelas imagens dialogavam muito com o espírito do tempo no qual estavam inseridas, as guerras dos anos 90, a tecnologia se aprimorando, ficando acessível e criando novas maneiras de ser e estar no mundo o cenário não era de todo promissor, como não vem sendo, como podemos comprovar por nossas próprias experiências.
E tinha outro clipe em estilo curta de animação que era bonitinho que era o “One More Time”, do Daft Punk, das pessoas azuis e que loucura porque eu nem sei mais porque eu tô escrevendo sobre isso, mas olha que só hoje eu descobri que o clipe tem uma continuação, ou mais de uma. Talvez uma hora eu veja.
Inclusive essas animações me lembram de Animatrix que eu
nunca vi e preciso. Talvez eu veja hoje ainda. E ainda há tanto para fazer.
Aumentei meio deliberadamente minha lista de leitura e a pilha de filmes para
assistir só cresce. Além das coisas que começam a sufocar o peito e precisam
ganhar forma, ocupar papel e posts na internet.
E também acordei na sexta com vontade de ouvir Madonna. “Fever” eu já tinha ouvido outro dia, mas desta vez deu vontade de ouvir “Deeper and Deeper” e “Like a Prayer”.
Porque uma coisa puxa a outra que puxa a outra e assim sucessivamente. E me lembrei que em três de abril, daqui a três dias, será lançado o remake de Resident Evil 3 para PlayStation 4 e nossa, que vontade de ter 250 reais para gastar num jogo de videogame, mas não. Nem o dois que estava em promoção por quase 100 dá para comprar. É muito caro tudo isso num jogo.
E eu cresci jogando Resident Evil, uma série de jogos no qual um vírus produzido por uma indústria farmacêutica do mal destrói uma cidade e a economia colapsa e deve-se enfrentar mortos vivos e outras armas biológicas para sobreviver.
Mas eu me pego a pensar que olha que legal que vai ser daqui
uns anos, quando eu tiver condições e tempos de jogar e conseguir o game por um
preço decente eu vou falar nossa, lembra que o lançamento desse jogo foi em
2020, durante a pandemia do Covid-19? Que loucura, né?
Faz tanto tempo que nem parece.
