Foi esquisito a sensação de ter finalizado uma parte do filme e mais esquisita ainda essa sensação de não saber o que fazer com o tempo.
terça-feira, 26 de maio de 2020
Do que não saber o que fazer com o tempo
Foi esquisito a sensação de ter finalizado uma parte do filme e mais esquisita ainda essa sensação de não saber o que fazer com o tempo.
sexta-feira, 22 de maio de 2020
A Tese do Mestrado
Desta forma a minha tese ia explicando o mundo. O biroliro por exemplo é uma performance para o mestrado dele, onde ele se inscreve como sujeito e observador do experimento ao mesmo tempo. Pessoas queridas falando besteiras nas redes sociais, com certeza é para investigação do mestrado delas, porque só isso explica eu não conseguir entender o que se passa na cabeça desse povo.
Mas eu gostaria muito que fosse.
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Como ganhar um edital
Hoje foi o primeiro dia de inscrição, que vai até quarta e eu não escrevi uma linha de nada por causa do tema: a vida pós-pandemia.
Minha inércia tem uma boa razão de ser. Estou completamente tomado pelo pessimismo. Ou talvez eu seja bom nisso de arrumar desculpas para mim mesmo.
Tudo que eu consigo pensar sobre vida pós-pandemia é que por mais que iniciativas pontuais e bacanas de solidariedade tenham aparecido, tem muita gente escrota no mundo.
E o mundo, como sabemos, já passou por muitas crises e estamos onde estamos por tudo que fizemos antes, durante e principalmente depois delas. Não melhoramos depois da escravidão, do nazismo, da crise espanhola, da epidemia de hiv, do 11 de setembro ou da boate kiss.
Não há luz num horizonte próximo. Pelo menos nada assim que eu consiga mensurar. Não deixaremos de acreditar nas ficções que são o dinheiro e a economia e não conseguiremos inventar um novo modo de viver, simplesmente porque nem tentaremos.
Porque falta adesão à vontade de mudar o mundo. A gente nem acredita mais que isso é possível.
Porque agora, que é agora, a gente não liberou as faxineiras e as pessoas mais precarizadas não estão ficando em casa - às vezes nem casa têm para se ficar. Como é que se pensa um pós, um futuro, quando o presente é altamente incerto e desemprego, falta de propósito e desigualdade se acentuam?
Que tipo de ficção é possível de ser inventada num cenário como esse? Que tipo de ficção tem chances de ganhar um edital? Oras, você não é escritor, inventor, criativo? Pois, crie!
Neste momento, pensar em futuro me faz oscilar. Na vida, de modo geral, pensar em amanhã só me dá vontade de chorar na cama prostrado em posição fetal. Se, por um acaso eu conseguir até lá pensar em algo para o edital, será para chorar as pitangas de um mundo cada vez mais injusto e cada vez pior.
Uma epidemia que não serviu de nada para tirarmos algum tipo de lição, porque enquanto ela está acontecendo há marmanjos na rua da casa do Lucas empinando pipa.
Por outro lado, acho que pra ganhar um edital, talvez o segredo seja investir em uma narrativa mais edificante, mais bonitinha, mais conforme dizem especialistas das novas etiquetas que surgirão. Mais como foi a capa do Segundo Caderno d’O Globo de Sábado. E eu que já não suportava etiquetas terei que conviver com novas.
A imagem que me vem desse futuro pós-pandemia é a daqueles desenhos que ilustram o céu em folhetos das Testemunhas de Jeová, em que crianças multiétnicas brincam com leões e tigres num cenário de relva verde, lagos e árvores frutíferas.
Vou descrever uma dessas. Pintar em 800 caracteres essa paisagem idílica. Vai que assim eu sou contemplado.
sexta-feira, 8 de maio de 2020
No meio de tudo isso
Não ando lendo mais o horóscopo mensal para não criar expectativas com as boas quadraturas entre os planetas ou os aspectos tensos entre os astros celestes.
Não estou acompanhando com tanta regularidade os horóscopos diários também. A rotina virou água que corre pelas mãos. Cada dia é uma surpresa em relação a com quais sentimentos terei que lidar hoje.
Fica difícil processar o que se passa internamente quando parece que o chão desaparece, a normalidade de antes virou pó e o mundo físico que nos cerca é como se derretesse.
Do mundo espiritual eu queria uns sinais, sentir umas conexões, mas meus canais devem ser todos bloqueados.
No meio de tudo isso ainda tentar dar conta de alguma produtividade, eficiência, seguir com o projeto do filme. Abraçar outras ideias, anotar em cadernos ou blocos de notas boas sacadas para depois, textos, contos, observações que só devem ganhar corpo dias que chegarão sabe-se lá quando, se é que chegarão.
Esses dias tava escovando os dentes e tive um lampejo de uma ideia para o que seria o meu projeto de mestrado. Não anotei uma linha mais a sério sobre isso. E sim, o mundo de ponta cabeças, o futuro cada vez mais sinônimo de incerteza e a bonita sonhando, que é o que resta.
Junho tá aí, sendo que maio mal começou. Mais uma semana se foi.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
Tudo que a gente tem é o hoje
Tá, marindo?, perguntou a a uva para a outra. Não, tô milho!, respondeu a outra para a uva.
E terminar aquela panela gigante foi uma questão que me absorveu até que ele enfim acabasse. Dei a última garfada nele na terça seguinte antes que ficasse mais intragável do que já estava.
O negócio é que as preocupações de hoje (daquele hoje) nem serão preocupações daqui a duas semanas, apenas lembranças, memórias até dignas de esquecimento. E a questão aqui é que o hoje é tudo o que a gente tem, porque já já hoje acaba e amanhã vira o novo hoje.
Eu preciso cozinhar de novo. Talvez faça macarrão.
terça-feira, 28 de abril de 2020
Anotações esparsas num papel avulso há cerca de dois meses
terça-feira, 14 de abril de 2020
Perca a libido agora pergunte-me como
Faz tempo que tenho pensado muito sobre isso.
Meu tesão constante, minha vontade de chupar rola que não passa nunca e o lugar que o sexo, o amor e os relacionamentos ocupam em minha vida.
Mas esses tempos eu ando achando tudo muito chato. A forma como a gente transa. A forma como a gente se relaciona.
Ensaiei ou pensei em escrever uma peça teatral sobre isso. Sobre essa inquietação que fica rodeando a minha orelha. Mas seria tão chata mas tão chata que não abri sequer o Word para começar a digitar. E também falar o quê?, para quem?, sobre o que?, e como exatamente?
Tudo aquilo sobre o que eu gostaria de discorrer não parece se encaixar em nenhuma forma. Ou pelo menos nas formas que tenho buscado.
Pode ser também essa autoconfiança na certeza de que eu penso sobre todas as variáveis de um problema, reproblematizando tudo por outro lado, só que sempre há algo que escapa. E o que vem é o senso comum como resposta. A simplificação das mais ignorantes.
Se não tenho tanto prazer em ser penetrado ou penetrar e gostaria de pensar o sexo para além da penetração é como se houvesse algo de errado comigo. Eu que preciso me resolver. Não o mundo que funciona de um jeito muito certo, não é mesmo? Eu que lute.
Quase como quando alguém olha um quadro em uma exposição e diz que uma criança poderia ter feito aquilo. Que o quadro na parede não é arte.
Ou na cena do Parasita em que o boy fala que a criança é muito talentosa por ter pintado um Chimpanzé e a mãe informa que aquilo é um autorretrato.
Para quem não tem o hábito de desenhar ou se expressar por essa via artística, como eu, a escrita é uma forma de se retratar. E como eu estou o tempo todo pensando sobre escrita e sobre sexo, não consigo escapar de escrever sobre mim.
E nestes tempos tem aparecido essa impotência sexual. E não nestes tempos quarentenados. A crise é anterior à crise.
Uma escassez de sonhos eróticos. Uma falta de imaginação para se masturbar. O condicionamento de estar sempre com gadgets na hora do onanismo. Meu lance são contos eróticos, mas também não dispenso vídeos, de preferência amadores.
Da última vez que eu transei eu brochei e não gozei. Mas também não era porque meu pau não estava duro que eu não estava gostando do sexo em si. Outrora muitos caras ficaram espantados porque minha ereção demorava a abaixar depois da ejaculação.
O boy com quem transei da última vez (já faz 84 anos) me perguntou quantas vezes eu tinha me masturbado pensando nele desde que tínhamos nos vistos. E ficou um clima embaraçoso, porque a resposta era nenhuma. Mas também faz tempo que eu não me masturbo pensando em alguém em especial e quando eu digo que faz tempo, faz muito tempo mesmo. Tipo bota uns 15 anos aí. Uma sexualidade quase toda que condicionada, acostumada, habituada. Uma vida sexual sedentária, preguiçosa, modorrenta. Ele tinha se masturbado duas vezes só naquele dia antes de nos encontrarmos. Obviamente me deu curiosidade de saber se eu havia sido homenageado alguma vez, mas fiquei sem jeito de perguntar. Fazia uma semana quase que eu nem tinha gozado. E óbvio que ele achou aquilo esquisito.
Em todo o caso, a inquietação vem da forma como o sexo de uma forma geral na sociedade contemporânea vem sendo feito, reproduzido, ensinado, encenado, discutido, debatido, visto, consumido e narrado.
Mas vai ver é só comigo.
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Do equilíbrio necessário
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Retomada
domingo, 5 de abril de 2020
Ao vivaço
Minha questão com as lives está longe de ser fruto de um posicionamento. Não é advinda da leitura de algum artigo sobre tristeza, confinamento e angustia das redes sociais em época de pandemia.
Mas foi tudo muito rapidamente.
As pessoas transmitem seus conhecimentos, seus shows, e até suas baboseiras e para mim tudo chega muito fra g men ta do pi co ta do tra va do len to.
E é como se tivesse ficando de fora das melhores festas, sendo expulso do clube, ou perdendo algo muito importante, mesmo sabendo que no fundo, no fundo, não estou perdendo muita coisa.
terça-feira, 31 de março de 2020
De como eu gostaria de que o mundo fosse depois da crise toda
Viu, como não era tão importante aquilo tudo que você achava tão imprescindível? No final das contas tudo aquilo pelo qual você se orgulhava ruiu, não é mesmo?
E as suas dozes horas de trabalho que praticamente serviam
de alento para que você preenchesse disfarçasse suas angústias era tudo uma
mentira que você contava para si mesma.
Nem você consegue parar uma pandemia.
Então você descobre que não é tão incrível assim. E que não tem superpoderes. Sua vida é só mais ou menos e essa é a maior libertação possível a que se pode chegar.
Sabe, eu estava há tempos pensando que eu não lembro mais quando foi a última vez que eu ouvi um CD inteiro.
Porque esses dias eu acordei com vontade de ouvir umas músicas. E hoje me bateu um estalo de ouvir R.E.M e eu nem sabia que eles têm um Acústico MTV. Unplugged, no caso, que chama.
Mas é. E a versão de “One I Love” é bem bonita. Isso porque nem está na integra no Youtube e o Spotify só deve ter na versão americana o CD inteiro. E esta é vai para aquele que amo, esta vai para aquele que eu abandonei. Meo deos. Como essa música é bonita. Uma música para alguém que você já amou.
Daí lembro de “Best of You”, do Foo Fighters, que gosto mais na versão do Stereophonics.
Também deu vontade de ouvir a versão acústica de “State of Love and Trust”, além das versões de Pearl Jam para The Doors. E por falar em Pearl Jam tem o clipe de “Do The Evolution”, que é quase um curta de animação e eu fico pensando que sempre que eu conseguia ver esse clipe muito raramente na televisão era um fenômeno e como todas aquelas imagens dialogavam muito com o espírito do tempo no qual estavam inseridas, as guerras dos anos 90, a tecnologia se aprimorando, ficando acessível e criando novas maneiras de ser e estar no mundo o cenário não era de todo promissor, como não vem sendo, como podemos comprovar por nossas próprias experiências.
E tinha outro clipe em estilo curta de animação que era bonitinho que era o “One More Time”, do Daft Punk, das pessoas azuis e que loucura porque eu nem sei mais porque eu tô escrevendo sobre isso, mas olha que só hoje eu descobri que o clipe tem uma continuação, ou mais de uma. Talvez uma hora eu veja.
Inclusive essas animações me lembram de Animatrix que eu
nunca vi e preciso. Talvez eu veja hoje ainda. E ainda há tanto para fazer.
Aumentei meio deliberadamente minha lista de leitura e a pilha de filmes para
assistir só cresce. Além das coisas que começam a sufocar o peito e precisam
ganhar forma, ocupar papel e posts na internet.
E também acordei na sexta com vontade de ouvir Madonna. “Fever” eu já tinha ouvido outro dia, mas desta vez deu vontade de ouvir “Deeper and Deeper” e “Like a Prayer”.
Porque uma coisa puxa a outra que puxa a outra e assim sucessivamente. E me lembrei que em três de abril, daqui a três dias, será lançado o remake de Resident Evil 3 para PlayStation 4 e nossa, que vontade de ter 250 reais para gastar num jogo de videogame, mas não. Nem o dois que estava em promoção por quase 100 dá para comprar. É muito caro tudo isso num jogo.
E eu cresci jogando Resident Evil, uma série de jogos no qual um vírus produzido por uma indústria farmacêutica do mal destrói uma cidade e a economia colapsa e deve-se enfrentar mortos vivos e outras armas biológicas para sobreviver.
Mas eu me pego a pensar que olha que legal que vai ser daqui
uns anos, quando eu tiver condições e tempos de jogar e conseguir o game por um
preço decente eu vou falar nossa, lembra que o lançamento desse jogo foi em
2020, durante a pandemia do Covid-19? Que loucura, né?
Faz tanto tempo que nem parece.
sexta-feira, 27 de março de 2020
Insônia
Por volta das 04h da manhã eu pensei em colocar Cabra Marcado para Morrer.
Faz tempo que eu tô para assistir este filme. E uma vez tentei ver ele em casa e acabei dormindo.
Eu sei. É Eduardo Coutinho. Uma das maiores referências em documentário no Brasil, mas eu dormi. Devia estar cansado. Quem não está cansado? Tentando dar o seu melhor a todo momento. A toda hora.
É exaustivo, mesmo. Se até o William Bonner e a Renata Vasconcellos estão cansados do alto de seus salários imagina a gente sem salário e confinados.
Mas a real é que não sei muito bem porque não dormi.
Talvez o cochilo do fim- de-tarde-começo-da-noite.
Talvez a falta de reciprocidade em todos os níveis.
Talvez umas investigações aí que preciso fazer no campo interno.
Mas talvez seja o coronavirus, a subnotificação.
A sensação de privação de liberdade.
Optei por esses jogos que já roubam tempo, energia, potencial criativo. Fui de Farm Heroes. Nem sei como ou quando exatamente acabei pegando no sono. Só sei que quando vi acordei, o que significa que eu de algum jeito consegui dormir.
domingo, 22 de março de 2020
O cochilo do domingo a tarde
O título deste post seria “digressões impossíveis” e seria sobre a impossibilidade de digredir, diante deste cenário de pandemia em que nos encontramos.
Não só a pandemia, como o isolamento social, também chamado de quarentena.
Por aqui a vida não mudou muito. Só intensificou algo que já vinha acontecendo.
Sem emprego, com um filme para editar e com os frilas escasseando um certo confinamento já estava nos planos. A diferença é que agora o resto do mundo experimenta um pouco do que é a minha rotina.
Se bem que esse tempo todo e eu continuo lutando para estabelecer uma rotina. Porque nem todo dia eu consigo obedecer com precisão uns horários.
O engraçado é que uma das coisas que faziam com que eu pudesse me organizar melhor em relação a afazeres era justamente as saídinhas.
Nos últimos dias, entre o pós-carnaval e a pré-pandemia eram três dias de saída contra quatro em casa. Às terças ia para psicóloga. Às sextas, aulas de alemão e aos domingos a biblioteca da Casa1, onde sou voluntário.
Agora nem isso. A análise já foi por Skype essa semana. A partir do mês que vem o alemão também será enquanto o mundo atravessar esse caos.
Então pensei que há várias coisas a se compartilhar sobre a rotina de ~trabalhar de casa~. Como já disse, minha rotina e produtividade variam muito, mas há umas pequenas coisas que eu acho que ajuda como arrumar a cama e tirar o pijama.
Pronto. É isso. Está dada a minha contribuição ao mundo.
E essa seria uma das digressões possíveis, que viria a ser o novo título desse post, que seria um texto-tentativa-de-compromisso de tentar cumprir um desafio de escrever aqui todos os dias, pensando a escrita como cuidado de si.
Mas nesses tempos eu tenho fugido de fazer registros no meu diário para não ter que lidar com coisas internas, e a partir do momento em que botá-las no papel será exatamente isto que estarei fazendo.
Então, enrolo. Mas só até daqui a pouco.
E fiz faxina. Na verdade tirei o pó dos livros.
E nem na sexta fiz nenhum cortezinho no filme. Ok. Eu tô dentro de um cronograma e não haverá saída ao longo da semana. A não ser pelo mercado, para um abastecimento de frutas, pão e ainda preciso fazer uma listinha do que precisa.
Chupei mais laranjas esses dias.
Pude me dar um tempo para lidar com o baque de tanta notícia ruim. E agora é vida que segue.
Tenho há um tempo acordado cedo e ido dormir cedo também. E nesta tarde de domingo bateu um sono, daqueles que sempre dá depois do almoço e eu tentei cochilar, mas só dormi por meia hora.
A escrita, como uma das coisas que eu estava postergando me chamou. Então eu vim pra cá, pra começar, pra aquecer. Pra ver se outros textos além desses saem e eu não aproveito um pouco mais esse tempo livre “extra” para abastecer o blog, os blogs, o diário, a vida.
quarta-feira, 11 de março de 2020
Mais um pouco sobre laranjas
Nem tem muito o que dizer, na verdade.
Só remoer.
Aqui eu lambo minhas feridas.
Neste parágrafo aqui eu sonho em ver
Aqui a gente faz um minuto de silêncio em homenagem à tudo aquilo que não dá pra ser.
E aqui, neste parágrafo, eu conto que tô tentando me levantar, mas que pareço aqueles insetos que estão de costas e não conseguem se mexer ou virar o peso do próprio corpo e ficam em atitude desesperada sacudindo as próprias patinhas para cima e para os lados até que eles morrem de exaustão e sede e fome.
Por fim, neste texto que não está bom eu venho contar que de todas as coisas que mais me impressionou desde que nos conhecemos (eu e ele), nos pegamos (idem) e
Tinha um ano que eu não chupava uma laranja. Assim, quase que contadinho. Até que sábado eu chupei uma laranja para ver se de alguma forma eu me conectava com
terça-feira, 10 de março de 2020
Por que não posso eu?
sábado, 7 de março de 2020
Sobre uns livros, filmes e uma vida aí
Estou lendo os contos de Kafka presentes na edição de "Blumfeld, um Solteirão de Mais Idade", que a Record lançou em 2018.
Não estou gostando do livro de modo geral, nem dos contos em particular. Hoje mesmo, acabo de ler “Investigações de um cão” e sabe quando você não apreende nada?
Li como se não tivesse lido. Se tivesse uma prova para fazer sobre o livro ou sobre a história eu ia ter que me virar na força do truque para evitar me sair tão mal.
Os contos não me provocam nada, não me emocionam de jeito nenhum e ainda fazem com que eu fique pensando nas coisas que eu tenho que fazer - tomar banho, estudar alemão, procurar emprego, cozinhar, terminar de editar o filme, escrever, ler outras coisas, assistir a filmes, ir ao mercado, comprar pasta de dentes, pagar dívidas e boletos, etc etc etc.
E o pior é que lembro de ter gostado muito de ler “A Metamorfose”, que espero num futuro breve, reler.
Por outro lado, tenho lido "Delírio do Poder”, da Marcia Tiburi, e estou encantado com cada um dos textos. Um livro cheio de reflexões sobre o processo de candidatura dela ao governo do Rio de Janeiro em 2018.
Subi o livro na pilha de leitura por entender sua urgência e para tê-lo como espécie de material de aporte teórico de provocações que me acompanhariam na edição do filme sobre a candidatura da Renata.
E é curioso como cada um dos textos ecoa ainda aqui dentro depois da leitura, levando a uma série de outras impressões e reflexões, além da ampliação de noções sobre política. Um livro muito bom para fundamentar discussões depois que o pesadelo de governo Bolsonaro passar, se é que vai passar e se é que não mergulharemos em trevas ainda mais densas.
Por falar em Bolsonaro, eu tenho visto a série cinematográfica “Sexta-Feira, 13” e é impressionante como tudo que temos vivido politicamente no Brasil se assemelha muito ao arco narrativo de um filme de terror dos anos 80. Talvez eu me detenha sobre isso em outro texto no futuro breve, a depender de como conseguirei manter uma rotina de administração temporal em uma semana com Mit-SP e Faroffa, além de outros compromissos.
Por fim, mas não menos importante, tenho lido também "Palestina - Uma Nação Ocupada”, do Joe Sacco. Um livro-reportagem em quadrinhos sobre o período em que o jornalista e quadrinista norte-americano passou na Palestina lá no começo dos anos 90.
Estou quase terminando a HQ, mas digo que não foi uma leitura fácil. Não só porque ela tem muito texto, mas porque o tema não é dos mais palatáveis. Conflitos, guerra, crueldade. Um dos episódios retratados que mais me doem de ter lido foi o de forças de segurança (sempre elas) fazendo árabes cortarem seus pés de oliveiras.
O relato da violência somado com as imagem das árvores estéreis faz com que eu fique até sem mais palavras para descrever como me sinto.
E tem também os relatos de prisões, que num certo sentido me lembraram muito o trecho da biografia do Reinaldo Arenas em que ele fala sobre seu período no cárcere.
Então, lá para as tantas no meio do quadrinho, Joe Sacco conta que é quase incomum que alguns dos homens com quem ele fala, conversa, entrevista, interage ou troca, não tenham sido presos. Um dos personagens apresenta a ele sua filha, Ansar, que foi batizada com o mesmo nome de um dos presídios da região.
Tenho pensado muito sobre a dobradinha prisão e liberdade nestes últimos dias, por conta disso. No quão duro é viver sob um regime de excessão, no quanto a desumanização é parte fundamental para que aconteça com facilidade a eliminação ou o aprisionamento do outro.
E eis que me deparo que a liberdade do contexto capitalista-neoliberal no qual nos encontramos não tem me parecido tão liberdade assim. Que além de precisarmos batalhar e construir uma liberdade comum ainda devemos tomar cuidado para não virarmos reféns de prisões de nossas mentes.
Tenho me sentido preso dentro de mim. Como se estivesse vivendo sem ter vivido.
No mais, comecei a ler “O Vendido”, do Paul Beatty, que foi um dos primeiros livros lançados pela Todavia, quando a editora nasceu. Confesso que li com dificuldade as primeiras vinte páginas, mas acho que foi o sono que eu nem sabia que eu tava. O final do prólogo me pegou pelo peito e então entrei de verdade no livro e todas as crueldades às quais o protagonista “Eu” vem sendo submetido pelo pai começaram a me deixar instigado para ver onde tudo isso vai dar.
Por enquanto é isso.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
Quintou
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020
Barba de molho
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020
Para fins de registro
Estive em três cursos-oficinas nas últimas semanas. Dois deles com a mesma ministrante. E pude fazer práticas de escrita, tentar me ater a algumas propostas, além de falar, ouvir e trocar impressões sobre literatura, vida e escrita.
Desses dias todos apareceram coisas legais, mas que por enquanto ficarão restritas aos cadernos e anotações.
Após receber uma enxurrada de novas informações, conteúdos e ter a sorte e o privilégio de presenciar discussões tão ricas e pertinentes, parece-me natural deixar todo esse caldeirão fervendo em um fogo mais brando, por enquanto.
Há a necessidade e a urgência agora de trabalhar na edição do filme, além da busca de um trabalho que permita algum tipo de vida.
No mais, volto a qualquer momento com uma nova digressão.